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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Não se engane

Thaís Marinho, estudante de jornalismo

Coisas estranhas acontecem na praça de serviço – lugar por onde passa a maioria das pessoas que vem à UFMG. Lá é um lugar inóspito e perigoso. A prova maior disso é que, a essa época do ano, o lugar fica infestado de calouros. Quer coisa mais medonha do que calouros? Aos bandos? Frio na espinha. Não se engane pelo lugar iluminado, quente,
fresco e aparentemente inocente. Nem pelos passarinhos que parecem passear despretensiosamente pelos bancos em baixo das poucas árvores. Despretensiosamente até demais, não acha? Nada é gratuito. Nem os pombos. Olhe, por exemplo, aquela senhora que vem vindo na nossa direção. Nada de estranho. Óculos, uma blusa bem larga e florida, uma calça que não combina com o resto. Enfim, podia ser a sua vó, podia ser a minha vó. Mas olhe mais de perto. Estampado no seu braço esquerdo uma tatuagem do escudo do Atlético mineiro. Que tipo de distinta velhinha é essa que tem um escudo de time tatuado no braço? E isso não é exceção. É regra. Estranho. Frio na espinha.

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