O início da tarde se aproximava e Tamira prolongava seu almoço ao máximo. Quanto mais tempo enrolasse na mesa, melhor. Não porque tinha um grande apetite. Muito pelo contrário: não gostava de comer e desde cedo teve um regime bem diferenciado. Com intolerância a leite de vaca, cresceu à base de mamadeiras de gelatina, e a cada dia exibia uma refeição de cor diferente: vermelha, verde, roxa... Cores exuberantes que dariam água na boca de qualquer criança, mas não em Tamira. Talvez por isso foi uma criança fraquinha, crescida à base de biotônico Fontoura com leite condensado que, em uma crise de overdose, lhe rendeu uma brava estomatite. Vontade latente de crescer e ficar forte? Sim, o que ela mais queria naquele momento era acumular as forças de She Ra, sua heroína, e combater o asqueroso e temível Rafael, um garoto arrogante e metido a filho de policial, no colégio Sagrado Coração de Jesus, para o qual a frágil mocinha era levada aos prantos diariamente. Era questão de minutos para que se encontrasse com Rafael e suas terríveis ameaças de matar os seus pais. O por que de tanta ira nunca foi compreendido, mas o fato é que Tamira sentia por esse garoto uma repulsa imensa, semelhante à que sentia pelos garotos que comiam chips com Danoninho no recreio. Só que maior. Muito maior. Chegava a imaginar que a casa de um garoto tão repugnante só podia ter um banheiro igualmente asqueroso, daqueles bem pequenos, imundos e fedorentos, assim como a sua personalidade. Se a pessoa é chata, não pode ter um banheiro legal, e vice-versa.
Outros seres davam medo na pequena Tamira: ETs, chupacabras e a Tia Doca. Não que esta fosse muito brava, mas o medo de ser reprimida por derramar leite ou deixar os brinquedos esparramados a deixavam sempre alerta quando a tia estava por perto, e essa presença era constante, já que Doca e o marido dividiam o apartamento com os pais da Tamira. Mas fora os momentos de apreensão, era uma menina muito feliz, principalmente na presença dos primos Thaynã e João Vitor. No jardim da casa da avó, passavam a tarde brincando de meninos perdidos, uma espécie de projeto daquele que seria um dos maiores seriados da TV. Ali imaginavam que tinham ido acampar com os pais e estes sumiram, fazendo com que eles tivessem que comer plantas para sobreviver. Entre uma graminha e um copo-de-leite (a flor, é claro, já que Tamira não podia beber leite), também gostavam de tocar teclado. E o fato de não saberem tocar uma só nota não era problema, pois os botõezinhos mágicos, que executam uma canção sozinhos, deixavam para as crianças a função de entrevistarem um ao outro, como em um programa de rádio. Mas Tamira queria mais, muito mais, e foi a atração principal da apresentação do colégio, na qual entoou um dó sustenido maior e emocionou a mãe ao som de “Alecrim Dourado”. A fama foi instantânea, e virou alvo principal da câmera recém-comprada do pai. Foi por meio de um de seus vídeos performáticos que a menina que se considerava feinha, de aparelho e cabeçuda ganhou espaço na principal emissora de TV e apareceu no programa da Xuxa.
Assim, desde cedo Tamira experimentou o gosto do sucesso, o que a tornou muito exigente tanto consigo quanto com os outros. Não bastasse ter que tirar as melhores notas no colégio, gostava de esbanjar conhecimento em cima da Penha, empregada da sua casa. E ai da Penha se ela não arrumasse o banheiro direitinho!
Perfil de Tamira Lima
sábado, 12 de junho de 2010
Do mundo para o interior e vice-versa
Primeira e única filha, Maísa Gontijo Pontes nasceu depois de 8 anos do casamento de Caio Mourão Pontes e Sirlene Amaral Gontijo, em 4 de Janeiro de 1988, de parto normal.
Morou até seus 3 anos no bairro Sion, em Belo Horizonte., quando seus pais se divorciaram e Caio mudou-se para Divinópolis e Sirlene para Sete Lagoas . Por algum tempo morou só com a mãe, em cima de uma padaria, e aos 5 anos a dupla se mudou para o bairro Boa Vista, também em Sete Lagoas. As lembranças do Boa Vista parecem ser as que mais marcaram a infância de Maísa. A vida era difícil, pobre, mas contava com muitos vizinhos amigos que brincavam na rua, na casa uns dos outros, batiam campainha e saíam correndo juntos. Maísa foi uma criança que sempre comprava Kinder Ovo e se considerava feliz. Era boa de garfo mas não muito chegada aos legumes. Tinha um casal de velhinhos amigos e foi na cantina do Itamar, no Boa Vista, que Maísa aprendeu a gostar do prato que tem preferência até hoje: salpicão.
Maísa teve uma mãe muito brava e um pai muito manso. Caio Mourão a levava quinzenalmente para Bh onde passavam o fim de semana e as férias na casa de Meibe, uma tia que é como uma espécie de avó por ser a irmã mais velha da família do pai. A mãe Sirlene é artista plástica e não trabalhava muito. Na época de grande dificuldade financeira os pais não se davam muito bem.
A vida se Setelagoana era tranqüila, mas nem tão parada. Muitas das vezes que foi devolver a filha à mãe , Caio tinha que fingir que dormia na casa de Sete Lagoas porque Maísa insistia muito para que não fosse embora. Quando a menina pegava no sono ele partia. Numa dessas vezes, quando tinha 4 ou 5 anos, a menina acordou de madrugada e viu um sujeito andando de cueca na copa. Pensou que era o pai e começou a chamá-lo. Como ele não atendeu ,Maísa voltou a dormir e na manhã seguinte encontrou uma vizinha e um policial dizendo que um ladrão havia invadido a casa de noite.
Maísa estudou em muitas escolas, só no maternal deve ter passado por umas cinco. A 1 ° delas foi a Tatu bolinha e o 1° namoradinho foi o Tomás, que era muito bonitinho, moreno e tímido. Sempre gostou muito de ir escola, era serelepe, mas meio chatinha por ser metida à inteligente e aparecida.
Gostou de ler livros de mistério e a Ilha perdida. Adorava TV Cruj, Confissões de adolescente, e Malhação. Nunca usou nem óculos nem aparelho mas nem por isso se sentiu correspondida por seus outros amores infantis: Gabriel e Wilbor .
Colecionava figurinhas de chocolate surpresa. Certa vez, ao ir buscá-las no alpendre escorregou na escada e bateu a testa. O acidente culminou nos únicos pontos que levou na vida - ainda que não sem dar trabalho, cuspiu na cara do médico que a atendia. Com 11 anos mudou-se para Divinópolis, onde não teve tantas amizades na rua e foi ficando mais tímida e sozinha. Não gostava da escola e foi uma mudança meio traumática.
Menina Maísa teve caxumba, catapora, e piolho e bicho de pé. Teve um gato siamês e muitos ídolos: o primeiro deles foi o Belchior, seguido de Danilea Mercury, Spice Girls, Jota Quest, e aos 12 anos desenvolveu um amor incontrolável pelo grupo Five. Por causa do Five através da revista Antenada Maísa se correspondeu com pessoas do país inteiro, e chegava a receber 10 cartas por dia. O Five também a levou para o Rock em Rio : em 2001 o pai deu de presente de aniversário a viagem ao Festival onde seus ídolos se apresentaram. Ainda criança, adorava a Xuxa e os Mamonas assassinas. Até hoje, conservando parte da inocência daqueles tempos, Maísa sente saudades da Sopa do Popeye de Espinafre.
Perfil De Maísa Gontijo Pontes
terça-feira, 8 de junho de 2010
Sentidos
A rua, escura. Tudo é silêncio. Só se escuta os passos dele e o seu coração batendo. Mesmo sem ninguém a vista, ele olha ansioso para os lados. O beco nunca pareceu tão longo. De repente, mais um som enche a noite. Passos. Ele não tem coragem de olhar para trás, apenas acelera o ritmo do andado. O outro som também fica mais rápido. Ele acelera de novo. O som atrás fica mais forte. Mais rápido. Mais próximo. A ansiedade salta no seu peito. Ele não agüenta. Corre. O som se acelera ainda mais. Tudo fica explícito. A perseguição, a tensão, o desespero. O beco não termina. Ele não olha para trás, só corre. Finalmente, para os dois, o som o alcança. Um baque forte. Túlio tira os olhos assustado da revista. Olha para os dois lados. A sala, à meia luz, está tranqüila. Com um ar inocente, até. O burburinho que se escuta é o da TV do vizinho. Nem sinal de onde poderia ter vindo o barulho forte de dois segundos atrás. Volta os olhos para o folhetim. O homem sente uma mão gelada tocar seu ombro. Tudo se torna, de repente, muito lento. O outro sentido que é atingido é o olfato. Um cheiro ácido e forte chega às suas narinas. Logo conclui, cheiro de morte. Um vulto passa rápido pelo canto do olho de Túlio. Ele se põe de pé sem perceber, num salto. O coração, descompassado. As mãos, suadas. Os olhos percorrem rapidamente a sala. Impressão ou de repente a atmosfera ficou mais densa? O terceiro sentido a ser atingido é á visão. Tudo se torna opaco e embaçado. Logo, a fala também está comprometida. Nem um murmúrio consegue se soltar da garganta. A atmosfera se adensa ainda mais e se torna malcheirosa. Um odor acre enche a sala. Será o suor que toma conta do corpo de Túlio? A pressão no ombro aumenta e puxa o homem. O que resta das suas forças tenta resistir. Ele não quer ver o rosto dono daquela mão. Seu corpo treme. Por dentro, vazio. A mão o solta e ele desaba. Já sem vida. Fecha a revista, mas os olhos não se movem. A respiração, pouco a pouco se acalma e o cheiro e o peso da realidade o tomam. Pouco antes de levantar os olhos para a sala. Um toque. No ombro. Gelado.
Palavras: Folhetim e morte
Uma nação nas costas de um herói
O uniforme azul e vermelho, com a estrela branca no peito. O tão famoso escudo sempre à mão. Ele não é só um herói dos quadrinhos, o Capitão América é o símbolo da nação mais poderosa do mundo. O Capitão América foi um dos super-heróis criados na época da Segunda Guerra Mundial para levantar a moral do povo americano. O herói antes era Steve Rogers, um homem fraco e de saúde debilitada, mas com uma vontade imensa de ajudar seu país. Ele não consegue entrar para o exército americano e realizar seu maior desejo, mas por causa da sua força de vontade lhe é oferecido uma chance: se submeter a um experimento científico que transformaria seu corpo frágil em um corpo perfeito com força e agilidade impressionantes. Ele se torna, então, um “supersoldado”. O cientista que o criou é morto por um espião nazista e com ele morre o sonho de um super exército americano. Capitão América se torna o único homem capaz de enfrentar os perigos do exército nazista. Capitão América é a salvação, a inspiração para os outros soldados e para o povo americano. Ele é cada cidadão. Ele é todo um país.

Revista VEJA
terça-feira, 1 de junho de 2010
Hoje tem os cabelos brancos, mas me parece que os cabelos já eram assim... Se não me engano, via sempre pelas manhãs. Com mais três, sempre. Dos três elementos, dois morreram, para tristeza da garotada. Inclusive a simpatia negra. As roupas pardas envelhecidas e chapéus era a tônica do quarteto. E os estereótipos diferenciavam as quatro personagens: pele negra, cabelo castanho escuro, cabelo castanho claro e estrabismo. A pele bem branca é uma de suas marcas, junto com as rugas. Já tem idade para netos, mas tem uma filha pequena. E agora aposta em um tipo de trabalho do mesmo gênero, mas bem diferente do anterior. A inocência ficou para trás, a pobreza, a simplicidade, o riso fácil. Agora é rodeado por jacarés e popozudas em uma casa, ainda pelas manhãs. E acho bobo. Pode ser porque cresci, mas parece que tudo mudou. Ou talvez foram as crianças que mudaram. A telona sempre existiu para ele, mas o trabalho que antes era divertido agora me faz perguntar quem assiste àquilo. Triste fim para a produção infantil. Para histórias de princesa, infelizmente, sou bem mais a Disney.
Sacoleja, sacoleja, sacoleja... Pára no sinal, passa pelo buraco na rua, desvia de carros, de motos. E continua. Com o movimento que parece mais lento que o que rodeia, mas não menos agitado. Braços se cruzam segurando as barras de metal, pessoas apertam-se para passar a roleta. E trocam bons dias, desculpas, obrigadas, ou mesmo caras feias, esbarrões, pisadas nos pés. Mas sempre continua, com curtas pausas. O trânsito está ruim, alguns vão impacientes. Outros se esquecem de tudo ao redor concentrados no som que vem do celular, do radinho a pilha ou do mp3. E é dessa mistura que nasce o belo, o lírico do lugar.
Ao lado da empregada doméstica está o estudante de classe média alta. Em frente, um pedreiro e uma advogada. É um momento de encontro silencioso de pessoas de lugares diferentes, mas com um objetivo em comum: chegar ao seu destino o mais rápido possível. Enquanto isso não acontece, elas se observam. Vêem como o outro é, tentam adivinhar o que faz, sua vida. Oferecem para segurar as malas pesadas, alguns mais atrevidos até tentam bater papo, comentam do tempo, do trânsito, de sua pressa. Entra alguém novo, desce o estudante. E o balanço continua. Quase como uma música, com ritmos infinitos, tonalidades as mais disparatadas. Tal como a diversidade do que leva dentro e sacoleja, sacoleja, sacoleja.
Palavras: Ônibus e Poesia
Herói nas alturas
Quem vê Clark Kent todos os dias combatendo os vilões de Metrópolis não imagina que o herói tem problemas com altura. Mas, embora este seja o principal meio de locomoção usado pelo homem de aço quando ele está em serviço, já faz sete anos que Clark faz análise com uma psicanalista freudiana na tentativa de resolver o problema. “É realmente complicado pra mim, quando vôo entre os prédios, sabe, sempre imagino que tem um pedaço de kriptonita escondido na esquina de algum deles e que vou desmaiar e cair no chão”. Por isso, o herói tem tentado livrar-se do trauma através de hipnose e análise das emergências de seu subconsciente com a terapeuta.
Mas a esposa, Lois Lane, não tem ajudado muito no processo. Ela diz que o marido é um covarde e neurótico, que não consegue conviver com a possibilidade de não ter super-poderes por alguns momentos. E usa esse argumento em todas as discussões de relação – também conhecidas como DRs – do casal. Em 2002, uma noite ela deixou um pedaço de kriptonita embaixo do travesseiro do marido para experimentar fazer amor com ele sem super poderes. Segundo Lois foi decepcionante: quando percebeu que estava sem sua super-potência, o herói deu para trás, virando na cama, e disse que teria que acordar cedo no dia seguinte.
Para a psicanalista de Clark, a doutora Sara Sullivan, o super-heroi tem sentimentos comuns a pessoas que tem muita cobrança. Para ela, pelo fato de Clark ser um heroi, é tido como infalível e sem fragilidades sentimentais para muitas pessoas, mas na verdade ele é um cara extremamente sensível. Por isso, a terapeuta tem tentado aflorar a sensibilidade do herói, diminuindo seus impulsos violentos. E a medida tem tido resultados: semana passada nosso herói preferiu ter uma conversa séria com o vilão Lex Luthor quando ele estava prestes a explodir uma bomba nuclear que iria tirar Smallville do mapa a simplesmente dominar e prender Lex. Claro que não funcionou. A cidade explodiu e dela só restaram cinzas. Único sobrevivente, Clark Kent diz-se triste com os acontecimentos, mas afirma que foi uma etapa importante em sua terapia.
Outra técnica usada por Sullivan é o uso de um banquinho. Kent passa em média 20 minutos de suas sessões semanais de terapia em cima de um banquinho olhando para o chão para aprender a lidar com a altura. Uma kripnonita de brinquedo é colocada na mesa da terapeuta durante as sessões, mas isso já é suficiente para que o herói tenha sérias crises de choro. É muito difícil para ele ficar tanto tempo sentindo-se desprotegido nas alturas. Segundo Sullivan, durante as sessões ele chama pela mãe, pelo pai, pelos parentes de Kripton, pela ex-namorada Lana Lang e pelo ursinho de pelúcia Fofucho, presente de uma tia quando tinha quatro anos e que dorme com ele até hoje.
O sofrimento do herói é terrível, mas a terapeuta vê uma luz no fim da galáxia. “Clark tem deixado aflorar seu lado sensível, tentado conversar com as pessoas, o que é significativo para o seu crescimento individual. Ele tem que começar a ver-se mais como indivíduo e menos como um mero instrumento da sociedade, uma máquina de combate ao crime sem sentimentos.” Mas os milhares de manifestantes espalhados por toda a América contra a inação de Clark em Smallville não dão ouvidos às tristezas profundas do herói. Uma pena.

Revista PIAUÍ
Monólogos de ladainhas
Ela entra na sala reclamando da instrutora da auto-escola. “Não tem condições isso, a mulher muda o horário pra mais cedo sem nem avisar, eles sempre tem umas atitudes assim, que merda isso, cheguei e a sala tava cheia, nem tava pra ficar lá”. A fala continua enquanto ela se dirige ao seu quarto, eu já não consigo escutar. É um monólogo da reclamação, um desabafo mais para si do que para os outros. É inconformada quando as coisas não saem como o planejado. Chora, esbraveja, reclama, é exigente. Mas também é compreensiva, doce, tenta não julgar as pessoas. Só que, quando há conflitos (seja consigo mesma, seja com o resto do mundo), tem que falar, falar a quem quer que seja, a mesma ladainha.
Deus, o difícil e o vento
Um vento forte bate no meu rosto e move meu cabelo. Muitas pessoas passam caminhando, subindo as escadas, parece que saíram de algum outro lugar, tão súbito é seu surgimento. Ouço passos em todas as direções. A música que vibrava às minhas costas momentos atrás pára sem nenhum aviso. Em frente, duas meninas conversam. Ouço a palavra “Deus” e um minuto depois, “difícil”. Penso sobre o que poderiam estar conversando, qual a gravidade da situação. As folhas de papel em cima do meu caderno voam, apanho com as mãos. Menos pessoas passam, caminham com calma. Um rapaz chega e a conversa das moças muda de rumo. Elas parecem menos sérias, dão sorrisos, o garoto parece feliz em encontrá-las. O vento oscila. O sol é quente. Carros passam, param para os pedestres. Passa um ônibus. Alguém parece ouvir rádio. Ouço pedaços de conversas no celular.
Como era bom...
Acordava. Era a hora mágica. Cama da mãe, bocejos, preguiça, pijama, e o despertador nem precisava trabalhar. Roupas coloridas já me ajudavam a ficar bem desperta, e eu cantava, cantava. Dançava, voava, voava. De repente, nem estava mais ali, nem era uma menina comum. De repente, pegava um morango como café da manhã, e a pista de pouso era o palco. Tinha os cabelos amarelos, usava pompom, e, na cabeça, um chapéu especial. Tudo isso gerava sorrisos que iluminavam fantásticos sonhos feitos de cristal.
Cristal azul, tranqüilidade. Cristal laranja, amizade. Cristal verde, esperança. E ainda tinha o violeta e o vermelho. Mistura de arco-íris, de encantamento, de imersão. Doce, singelo, era um beijo na palma da mão. A marca ficava, junto com os sonhos. Era magia. Pareciam não ter fim as brincadeiras, lá eu estava junto às demais.
E ela brilhava, era o Sol, era a Lua. Era tudo. A gente era estrela, que brilhava pouco, porque era bem menor que ela. Mas ia crescer. E cantava que era bom, bom, bom, bom. Porque era.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Um último mergulho
Branco. Nunca foi um problema, talvez vez ou outra diante do excesso de bebedeiras da juventude, das drogas licitas e ilícitas, e da memória falha ao longo dos anos,decorrente da idade avançada. Branco. Um contraste explícito, branco do preto,preto no branco? A roupagem de couro preto, pesada aos olhos,leve ao corpo, fundamental à mensagem que se pretende passar, ao gênero que este consolida, dá cor, voz e vida. Branco, da paz que parece não pregar aos ouvidos dos desentendidos, mas que defende, ainda que no expressar verbal soe por vezes ofensivo. Branco do nascimento na cultura ocidental, da morte na oriental. Conjunção de cores, fusão de desejos e expectativas. Branco, o preto.
Preto. Dos cabelos então longos, agora não mais tão volumosos e já deixando escapar a experiente mistura do branco e do preto. Preto. Da cor que milhares de seguidores vestem enquanto absorvem lentamente as palavras fortemente entoadas por uma poderosa combinação de fisiologia,aprendizado e amor à música. Preto, do sabá a que pertenceu. Preto, das roupas que seu corpo envolvia nos momentos de saudar aos homens e mulheres com gritos, tons,semitons,graves e agudos em compassos pares e ímpares.
Preto, negro,sabático, céu e inferno, da voz feroz e de poder inconcebível.
Vermelho, do sangue que em seu corpo corre, que em seu intestino tão danificado ,pára agora de fluir. Vermelho, da paixão daquele que agora sentem sua falta, dos amores familiares e amigos da despedida. Vermelho que se faz agora saudade, do Preto e Branco correndo pelos palcos, do vermelho,laranja,amarelo,verde,azul e violeta. Saudades de um arco-íris na escuridão, do pote de ouro que a música viu se esvaziar.
ATIVIDADE 5 - No início não era o verbo
Que tão fazer uma descrição de alguém famoso, mas sem usar quase nenhum verbo? Esse é o desafio dessa semana... será que alguém vai ser capaz de fazer isso?
Vendendo seu peixe
Foi assim, tentando vender um peixe, que eu acabei vendendo o homem. Uma jogada de marketing fenomenal, do tipo que deixaria pra trás qualquer transformação de água em vinho.
Era um peixe dourado, desses bem bobinhos, fica quieto o dia todo; bolhinha pra lá,bolhinha pra cá, vez em quando indo de cara para o aquário como se quisesse atenção. Era fácil de alimentar, lidar com um bicho desses é tarefa pra meio neurônio esperto. Peixe não pensa muito,acho até que não pensa é nada, só nada, assim sem rumo. Organiza-se num bando que de organizado mesmo não tem lá muita coisa,é um ataque desenfreado em busca de comida. Não é ameaça.
Sério,meu caro, na teoria isso e fácil de vender! Quando me passaram a tarefa logo vi meu mérito aumentar. Engano meu. O chefe não se contentou com aquele biquinho manso e do nado sincronizado. Ele queria mais,queria bem mais que um mero peixinho. Cá comigo logo disse :”opa,tenho aqui então esse belo sapo! Olha só como salta por aí maravilhosamente!” Rechaçado, na hora,sem dó nem a piedade esperadas. Ofereci um jacaré “NÃO”, um camaleão “NÃO”, fiz de tudo pra que ele adquirisse o papagaio azul celeste, mas ele acenou negativamente. Cliente difícil viu. Resolvi apelar, peguei logo dois bichos que eu julgava interessantes, que eu achava mesmo serem do agrado do patrão. Mandei logo um golfinho e um chimpanzé. Ele olhou assim,meio atravessado para o golfinho, arrisco dizer que achou bonito o design aerodinâmico do mamífero que parecia um peixe...esse foi o problema, eu não devia ter mandado algo que parecesse um peixe.
Botei fé no chimpanzé. Peludinho,quase fofo, inteligência acima da média, até demonstra afeto. Impossível não ficar tocado. Impossível não existe no dicionário do Senhor Chefe. Foi um não dos mais ásperos. Doeu fundo, bateu com força jamais vista, estrondosa, onipresente. É o estilo do patrão, nada que eu podia fazer.
Fui saindo cabisbaixo,falaram que a propaganda era a alma do negócio, a minha estava muito em falta, toda ausente, se é que eu um dia tive uma. Fui caminhando lentamente, baqueado pelo fracasso, indignado com minha incompetência pra vender algo tão simples, fiquei com a sensação estranha de que eu não tinha levado nada novo pra Ele, tudo soava velho, pouco evoluído, talvez repetitivo – algum concorrente deve ter visto minhas idéias e apresentado antes, só pode! Ah se eu acho o desgraçado! Vai se ver comigo,oh se vai! A idéia de ter sido roubado não saia da minha cabeça, o ódio crescia,rompia no peito. Abri os portões pra ir para o meu paraíso particular, achar conforto, antes que eu matasse um.
Aí ele me mandou parar e disse,onipotente: “Você! Que forma é essa em que está agora?”. No ímpeto da caminhada, nem reparei que,de quase etéreo,adquiria corporalidade. Uma forma estranha foi se construindo em mim ,moldada por fracasso,ódio, desapontamento. Fui lá vender seres simples, amáveis, incapazes de fazer mal, sem aquilo que agora sinto. Me voltei para o chefe. Ele parecia olhar admirado para o que me tornei. Eu ainda pouco entendia, via ramificações do corpo surgindo, sentia poder realizar mais tarefas, minha inteligência não se perdeu, o corpo aproveitava-se dela. Caminhei por aquele iluminado corredor, enquanto ao que sentia misturava-se um sentimento de alegria por ver o chefe sorrir, de ambição por talvez ter criado o ser que há tanto ele esperava. Fui chegando como quem não quer nada, mas já almejava muito mais. Respirei fundo – nem sabia o que era respirar ainda – e disse em alto e bom som: isso aqui, seu Deus, chama Homem!
Palavras: Propaganda, Queda e Inteligência
Não se engane
Coisas estranhas acontecem na praça de serviço – lugar por onde passa a maioria das pessoas que vem à UFMG. Lá é um lugar inóspito e perigoso. A prova maior disso é que, a essa época do ano, o lugar fica infestado de calouros. Quer coisa mais medonha do que calouros? Aos bandos? Frio na espinha. Não se engane pelo lugar iluminado, quente,
fresco e aparentemente inocente. Nem pelos passarinhos que parecem passear despretensiosamente pelos bancos em baixo das poucas árvores. Despretensiosamente até demais, não acha? Nada é gratuito. Nem os pombos. Olhe, por exemplo, aquela senhora que vem vindo na nossa direção. Nada de estranho. Óculos, uma blusa bem larga e florida, uma calça que não combina com o resto. Enfim, podia ser a sua vó, podia ser a minha vó. Mas olhe mais de perto. Estampado no seu braço esquerdo uma tatuagem do escudo do Atlético mineiro. Que tipo de distinta velhinha é essa que tem um escudo de time tatuado no braço? E isso não é exceção. É regra. Estranho. Frio na espinha.
terça-feira, 6 de abril de 2010
The greatest hits
Foi no camarote para a imprensa que ele conheceu Alice, a repórter mais bonita que já vira {Beautiful Girl – INXS}. Conversando com ela, descobriu seu cargo na revista Billboard, o que ela estava fazendo por ali e o principal, que ela estava indo para o Brasil em dois meses para fazer a cobertura do submundo do rock paulista.
Era tudo que ele precisava para se apaixonar {Kiss me – Six Pence None The Richer}. Conquistou o primeiro beijo ao som de In the end, enquanto todos ao seu redor pulavam alucinados. Mal sabia ele que só escutar aquela música, tempos depois, o faria chorar.
Se despediram com a promessa de se encontrarem no Brasil, de continuarem sempre mantendo contato. Foi o que aconteceu e, em julho, Alice veio {Ela vai voltar – Charlie Brown Jr.}. Trocou o apartamento de luxo pago pela revista e foi morar no apartamento do VJ. Ele levou-a para conhecer os principais points do rock paulistano {Envelheço na cidade – Ira!}, fez um entrevista exclusiva para o Disk MTV com ela, passearam e se amaram de um modo que nunca haviam feito antes.
Chegando perto da despedida de Alice, o VJ estava disposto a jogar toda a sua vida para o alto e partir com ela para Nova Iorque {Vermilion part. 2 – Slipknot}. Sabia que precisava apenas terminar seu contrato com a MTV para poder partir para a nova vida.
A repórter foi embora no início de setembro com uma reportagem fantástica e grandes sonhos nas mãos. Enquanto eles não podiam se encontrar, trocavam e-mails todos os dias. Ele se lembra muito bem do último que recebera.
“Vou fazer uma entrevista com um puta empresário musical amanhã. Me deseje sorte, eu volto à noite”.
Nunca mais voltou. Era dia 11 de setembro de 2001 e a entrevista era no World Trade Center. Quando o VJ recebeu a confirmação da morte dela, mal podia acreditar no que ouvia {Boulevard of broken dreams – Green Day}. Seus ouvidos sempre acostumados com boas músicas não estavam preparados para notícias tão ruins. Voou para Nova Iorque só para ver os destroços que consumiram a mulher que ele amava tanto.
Desde esse dia ele vai a Nova Iorque pelo menos uma vez por ano e fica sentado no mesmo banco, em frente às obras no local da tragédia {Goodnight, goodnight – Maroon 5}. Fones no ouvido e lágrimas nos olhos, ele nunca conseguiu superar a perda. Sabia que teria que continuar vivendo, mas sabia que in the end, it doesn’t even matter. {Scar Tissue – Red Hot Chili Peppers}
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Pois delas é o Reino dos Céus
Aquele era meu único dia de folga no mês. Trinta dias e uma única folguinha que eu achava que merecia. Deus que é Deus descansou no sétimo, imagina eu, que sou só humano. Ainda assim minha esposa ficou louca quando eu disse que não poderia ajudar com as crianças. Com paciência de Jó eu ouvi aquela que um dia foi minha costela me acusar tão injustamente de ser um pai omisso, de só me ocupar com meu trabalho, enquanto ela se desdobrava pra dar conta dos dois rebentos. Achei curioso ela reclamar que eu trabalhava demais e deveria me dedicar à família na folga, afinal, a menos que ela estivesse multiplicando nossos pães, todo o sustento da casa vinha justamente daquele trabalho. Inclusive a baguete que ela partia, quase com fúria, enquanto me dava as opções: assistir e filmar o teatro do mais velho na escola, ou levar o mais novo ao pediatra. Pergunto se é grave. Ela responde, dando de ombros:
- Vermes.
- Não parece grave, por que tem que ser hoje?
Ela me olha como Lúcifer e explica que, como pai, não posso deixar o menino se acabar de coçar a bunda o dia inteiro só porque estou com preguiça de dirigir até o consultório. Um pecado! Além disso, verme é coisa séria, diz ela – Se não cuida agora, pode dar dor de cabeça, fraqueza e até taquicardia no garoto. Vermes se reproduzem como gafanhotos em plantação. Era isso que eu queria? Não, não era.
“Crescei e multiplicai”, sempre me disseram. E agora que multipliquei mais do que deveria – o caçula foi um erro de cálculo – tenho que arcar com as conseqüências.
Resignado, suspiro fundo em solidariedade a tantos Adãos que, como eu, não sabem dizer não às suas Evas, principalmente quando elas, como serpentes ardilosas, ameaçam proibir o fruto e nos deixar de fora do paraíso logo mais à noite, depois que as crianças pegarem no sono.
Quando fiz 12 anos e me livrei do meu pediatra, jurei a mim mesmo nunca mais pisar num consultório infantil. Pura ilusão. Lá estava eu, filho pródigo, humildemente sentado na sala de espera decorada de palhaços, segurando pela mão meu anjinho para ser exorcizado de seus vermes.
Palavras: "Verme" e "Bíblia"
Chuáááá...
Banho tomado. Aquele foi o único balde d’água que Júlia recebeu nos últimos cinco dias. E não eram daqueles baldes grandes, era um daqueles bem pequenos, que mal dão para molhar uma planta mediana, tipo a samambaia. E a doce menina de nove anos com cabelos sebosos e roupa em trapos se importava com isso? Não. Para ela, aquele banho era suficiente.
- Seca o corpo e escova esse cabelo, menina! – dizia a mãe.
Mas ela não queria secar com toalha, gostava mesmo é de deixar o vento fazer esse trabalho, e ficava observando cada gota que evaporava, se despedindo delas com uma oração: “Meu Deus, deixa elas descerem de novo rapidinho, pra eu poder tomar banho muito mais vezes”.
A água era suja, mas era água, e isso bastava.
Na casa de Júlia, a moringa é que ficava sempre cheia. A mãe buscava dois baldes todos os dias em um resto de lago, que hoje é muito mais um pântano, e controlava o recipiente com mãos de ferro. Cada copo tirado de lá precisava de consentimento.
Irmãos e irmãs, pai e avô também, todos bebiam desta mesma moringa.
Não tinham água encanada, mas tinham luz. E tinham televisão, que era ligada só na hora da novela, o que era suficiente para os banhos dos artistas em largas banheiras deixarem Júlia impressionada. Foi daí que a criança tirou inspiração para construir sua própria hidromassagem. Escolheu um pedaço de terra escondido atrás de uma árvore velha e retorcida, e começou a cavar com uma pá esquecida há muito pelos homens da família, já que nada mais dava naquelas terras.
Assim que o buraco estivesse bem fundo, ela pegaria um balde por dia do ex-lago, sem que a mãe notasse, para encher a banheira.
No 30º dia de escavação, isso porque ela era bem fraquinha, Júlia sentiu na terra uma parte meio oca. Bateu a pá e um buraco se abriu, deixando água pura e clara encher o vão. Achou que era sonho, mas não se beliscou. Entrou naquela frescura e, lá, as lágrimas de felicidade se misturaram à substância sagrada.
Agora, nem precisaria pegar a água da mãe, já que tinha um lago de verdade só para ela. Só para ela.
Palavras: "Seca" e "Inusitado"
Sobre cidades e ovelhas
Acordei e estava escrito lá, na maior cara de pau: “Onde estão as ovelhas dessa cidade?”. Cravaram, tatuaram, a bem da verdade picharam no muro da minha casa essa frase. De noite era só um muro verde, de manhã já era essa interrogação berrante. Misteriosamente me escolheram como novo portador da dúvida e ao cabo de uma semana não sabia pensar em outra coisa: “Onde estão essas ovelhas? ” “Por que no meu muro?” Isso tudo deveria querer dizer alguma coisa.
Talvez o pichador soubesse que eu era suscetível aos dilemas existenciais alheios. Fato é que eu não sabia onde estava a última conta de telefone, aquela blusa amarela nova nem o botão de descongelar a geladeira, mas tudo isso eu podia achar, ou conviver com a dúvida. Mas as ovelhas ... Meu deus, onde estão as ovelhas dessa cidade?
Passei a me comover com a Praça da Liberdade sem nenhum tufo de lã a brincar à tarde com as crianças de velotrol. Passei a sentir falta dos lugares nos ônibus destinados às ovelhinhas idosas e de banheiros especiais nos shoppings. Francamente, é um absurdo que Pets Shops não ofereçam serviços de tosquia à preços acessíveis. Expliquei para os amigos : Não, não estou inventando moda, não estou enlouquecendo, essa dúvida procede. Pesquisei sobre as ovelhas. Descobri que são animais sensíveis , fornecem leite, lã, couro e carne, podem ser domesticadas. Só não descobri nenhuma razão para não encontrá-las na cidade. Afinal de contas o que um cachorro oferece que uma ovelha não?
Diante da impotência da minha falta, do vazio populacional ovino que se abriu em mim, não sei mais o que fazer. Concluí que o fato de alguém te jogar na cara a falta de qualquer coisa é primeiro passo para se querer desesperadamente tê-la. Não consigo trazer as ovelhas, e preciso compartilhar dessa dor.
Talvez amanhã eu compre um spray.
Palavras: "Ovelhas" e "cidade"
Festa fúnebre
Acordo no sábado de manhã anormalmente cedo. Na cozinha, preparo um pão com queijo e encho um copo com leite, antes de voltar ao quarto e ligar a TV. Não há muito que se ver nos canais abertos, mas ter a companhia da TV durante as refeições é um (mal) hábito. Entretanto, desta vez, presto mais atenção na tela que na comida, porque ao invés dos tradicionais e sonolentos programas matutinos de fim de semana, existe, no ar, um clima que mistura tensão e euforia. Então, recebo a notícia: o julgamento do “caso Isabela” havia terminado naquela madrugada e o casal Nardoni foi considerado culpado. Ate aí, nenhuma novidade, pois tudo indicava que eles seriam condenados. Durante dois anos, a mídia divulgou fatos que, cada vez mais, apontavam para o envolvimento do pai e da madrasta no crime. Por isso, eu, pelo menos, tinha esta certeza.
Preciso de mais detalhes, por isso, continuo assistindo. O programa, além de fazer uma retrospectiva do caso e dos cinco dias de julgamento, também registra as diversas reações provocadas pela decisão. A decepção dos advogados de defesa e dos familiares dos assassinos, de um lado, e a comemoração da promotoria e dos familiares de Ana Carolina Oliveira, do outro. Contudo, festa maior é a das pessoas no exterior do Fórum, digna de gol da seleção brasileira em Copa do Mundo. Se não fosse pela falta do verde e amarelo, as imagens de desconhecidos pulando, gritando e se abraçando poderiam ser facilmente confundidas com a platéia eufórica de um jogo de futebol. Até os fogos de artifício marcaram presença.
A questão é: comemorar o quê? Se famílias foram destroçadas, se duas crianças viraram, praticamente, órfãs e se a sentença não é capaz de trazer Isabela de volta. Tudo bem, a justiça foi feita, pôs fim a um sentimento de impunidade, mas não acaba com o sofrimento dos parentes, não substitui a perda. Portanto, no lugar de tanta felicidade e euforia, seria mais prudente o silêncio de um luto e a resignação advinda da certeza de que a Justiça apenas cumpriu com a sua obrigação.
Palavras: "Felicidade" e "Bizarro"
domingo, 4 de abril de 2010
M
Seu nome começava com a décima terceira letra do alfabeto, e diziam que isso não era por acaso. Causa ou efeito, o fato é que seu nome combinava com sua mais marcante característica. Moisés mentia. Mentia sobre tudo e qualquer coisa. Seu pai era um grande empresário rico, seu tio um dos astronautas que pisaram na lua – ou pelo menos, era isso que ele dizia.
Desde coisas pequenas até viagens intergalácticas, ele sempre aproveitava ao máximo as oportunidades para contar um pequeno caso de veracidade universalmente questionável. Era ignorado por alguns, desacreditado por todos, mas isso não parecia lhe incomodar. Quando contava uma história não era como se fosse naturalmente dissimulado. Não. Ao contrário do restante do mundo, ele de fato acreditava naquilo que dizia.
Quando falava de suas viagens ao exterior, sobre a amizade com grandes personalidades, sobre seu sucesso entre os grandes nomes de qualquer área, dizia com convicção, com riquezas de detalhes, com emoção. Os desavisados sobre essa sua característica ficavam impressionados, mas logo alguém informava sobre a real personalidade de Moisés. “Mas como sabem que era tudo uma mentira?”, perguntavam.
Quem o conhecia há muito tempo dava o relato. A patologia começara já na infância. Enquanto crianças normais criam mundos fantásticos, ele vivia nesse mundo. O número de conhecidos famosos só cresceu com o passar dos anos e suas histórias ficavam cada dia mais elaboradas.
E assim Moisés seguiu. Chegou a mentir o caminho para um ponto turístico, e chegando no lugar errado se assombrou com a mudança que os anos haviam provocado no local. Chegou a mentir as horas do dia, e foi almoçar mesmo que lhe dissessem que ainda eram dez horas da manhã. Então, um dia, mentiu seu nome. Vladmir preferia falar a verdade.
Palavras: "Moisés" e "mentira"
Ficção X Realidade
Mais um dia de muito trabalho. Ana Lúcia volta para casa cansada, pois hoje foi um dia particularmente difícil. A patroa estava mal humorada e nesses dias sempre acaba sobrando para Ana Lúcia.
Mas o retorno fadigado ao lar foi interrompido por algo digno de, no mínimo, observação. Um raio de luz brilhante cortou o horizonte de fora a fora. Talvez Ana Lúcia tenha sido a única que conseguiu capturar aquele momento único. Parou por um instante e ficou olhando para o céu com um sorriso preso no canto dos lábios. Logo sentiu que aquilo era um sinal para ela.
Chegou em casa. Televisão ligada, mas ninguém na sala. Procurou nos outros cômodos. Banheiro vazio, cozinha e quarto também. “Onde está Letícia?”, se perguntou a mulher. Saiu para a rua e nada de avistar a menina. Bateu na casa dos vizinhos, mas ninguém viu nada.
Ana Lúcia era uma mulher muito simples e costumava acreditar em tudo que via. Era de praxe confundir ator com personagem e vice-versa. Ela havia ficado impressionada com um filme que vira na semana anterior, em que a filha da personagem principal foi levada por extra-terrestres. A garota foi apagada da memória de todos, menos da mãe. “Era só o que faltava. A luz veio buscar minha filha!”, pensou Ana.
Em menos de 5 minutos Ana acionou a policia e conseguiu desesperar todos os parentes. Ligou para dizendo que a filha foi seqüestrada. A parte dos extra-terrestres ela não contou
Os avós chegaram aos prantos. Era a única neta que tinham. Passou pela cabeça de quem ali estava os mais terríveis sofrimentos. Se eles eram pobres e não tinham como pagar resgate, o que os seqüestradores estavam querendo? Pensaram em exploração sexual e até tráfico de órgãos.
Quase três horas de agonia e o mistério é solucionado. Letícia aparece com uma cara sonolenta. Todos correm para abraçá-la e beija-la.
- Filha! Quem te levou? O que aconteceu?
- Eu estava procurando minha boneca embaixo da cama e acho que peguei no sono mamãe. Aconteceu alguma coisa?
Palavras: "Luz" e "Mistério"
Puxa-sacos da Lacoste
Resolveu fazer do ócio profissão, preferia muito mais as artimanhas de ser um bon vivant do que ser mais um desses puxa-sacos de patrão, que me mendigam até o último fio de cabelo para, ao final, ganhar um trocado que seja para comprar uma camisa Lacoste. Não, só de pensar já dava preguiça, melhor seria acordar às 11 horas da manhã e ter, como única preocupação, que escolher se continuaria deitado na cama e se daria uma volta pela cidade. Como já havia decidido, no dia anterior, restar sobre o leito, dessa feita, aproveitou para relembrar os tempos em que via o sol antes do meio-dia (Ah, esses vetustos tempos, dos quais saudade não é bem a palavra que melhor os definiria; provavelmente a melhor definição fosse mesmo lembrança remota).
Eis que não tardava ainda, pois, na verdade, tarde sempre fora mais uma pré-definição que necessariamente qualquer coisa que fosse. Retomando então: nem tardava, estava a proferir gracejos em praça pública quando, bem de longe, observou que ali bem perto havia uma loja de camisas. Estranho seria pensar que ali encontraria o que achou. Se pensava deparar-se com mais um daqueles bajuladores, ao contrário, nem Lacoste nem Adidas, foi mesmo topar com uma mocinha graciosa que insistia com o cliente para que esse levasse uma meia, para acompanhar a calça de bom traço.
Esperou que o fim da transação para que começasse a sua. Acanhada, a jovem moça se aproximou e perguntou se havia gostado da camisa. Insistiu para que olhasse algumas outras opções, que o preço era bacana. Após cerca de trinta minutos, voltou para casa com uma sacola. Resolveu, a partir de então, abandonar o ócio das manhãs (sem que isso significasse qualquer horário anterior às 10 da matina) para comprar camisas Lacoste ou qualquer outra que valesse (ou não) à pena, mesmo que para isso tivesse sempre que ter o convívio de alguns puxa-sacos.
Palavras: "puxa-saco" e "Lacoste"
ATIVIDADE 4 - Brainstorm
De posse de um trabalho, as ideias mais absurdas vão surgindo. O momento do brainstorm é aquele que tudo pode ser dito, desde as coisas mais imbecis até aquele insight genial. Vale tudo nessa brincadeira. É com essa técnica que muitos dos trabalhos mais geniais surgem. Será que isso vai acontecer aqui no laboratório também?
Foram dadas diversas imagens para os alunos e eles tinham que dizer as primeiras coisas que vinham em suas cabeças. Depois de uma infinidade de figuras e milhares de palavras, começou a separação de temas. Daquele monte de palavras no quadro, duas ou três seriam escolhidas para compor o tema de uma crônica ou conto, com até 2000 caracteres. Difícil? Então vamos experimentar para ver no que dá...
terça-feira, 30 de março de 2010
O homem, o mito
Uma inigualável experiência de vida. Isto é o que o Super-Homem acumulou em tantos anos de luta a favor dos fracos e oprimidos. Não é por acaso que o héroi tem muita história para contar. Já morreu, ressuscitou, ganhou um clone, virou monstro, perdeu os poderes, desenvolveu novas habilidades, enfim, sofreu as mais diversas transformações físicas, sociais, psicológicas e profissionais que se possa imaginar. Porém, nem tudo mudou. Aos 71 anos, ainda conserva o corpo musculoso, os cabelos naturalmente negros e a força assustadora. Por isso, além de ser mais rápido que uma bala, mais poderoso que uma locomotiva e transpor altos prédios de um pulo só, ele parece deter a “fórmula da juventude”. No entanto, o nosso herói afirma que, se existe fórmula, ela não é nem secreta, nem inalcançável: consiste na tradicional combinação entre exercícios físicos e alimentação balanceada.

Revista VIDA SIMPLES
Os momentos em que ele desaparece
Em seu dia-a-dia, ele é o “mentor” dos seis jovens que tentam escapar da Caverna do Dragão. Herói ou não, é preciso antes compreender a trajetória do mago que insiste em sumir e aparecer em momentos inesperados.
Mestre dos Magos aprendeu os primeiros truques de magia ainda na infância, antes de ingressar numa escola de magos nos meados da Idade Média. Foi lá que conheceu a outra dimensão existente na Caverna do Dragão, onde também elaborou todo o plano que levou seis adolescentes de uma montanha russa até o local.
Estudioso de estratégias e jogos de mistério e enganação desenvolveu, durante séculos, a plataforma que daria condições para a execução de seu plano que levasse pessoas para o seu “jogo”. Foi assim que constitui a fortuna atual, ao vender, para a rede de televisão CBS, os direitos do programa que ele denominou Dugeons and Dragons, do qual também é um dos protagonistas.
Faleceu em 1999 de morte natural. Há os que dizem que ele apenas sumiu e que ainda aparece em determinados dias.

Revista AVENTURAS NA HISTÓRIA
Generoso, forte, veloz, ágil... e LINDO!
Peter Benjamin Parker, o Homem-Aranha, é o sonho de consumo de qualquer garota. Nova Yorkino de Forest Hills, o gato ficou órfão ainda garoto e foi criado pelos tios Benjamin e May Parker.
O ar tímido e desajeitado deixa qualquer garota enlouquecida. Mas não foi sempre assim. No colégio Peter não fazia muito sucesso com as meninas. Tudo mudou na vida do rapaz quando ele foi picado por uma aranha geneticamente modificada. Seu corpo passou por mutações e, além de ficar mais gato, ele também adquiriu superpoderes! Não é o máximo?
Mas o espírito justiceiro do Homem-Aranha é aflorado quando seu tio é morto por ladrões. O pobre rapaz se sente culpado, pois poderia ter impedido a fuga dos criminosos. Depois de aprender a lição de que com grandes poderes também vem grandes responsabilidades, Peter se envolve em uma série de apuros para proteger a população e conquistar o amor da garota mais popular da escola, Mary Jane. Sortuda, não?

Revista CAPRICHO
Dando as cartas
“Parei de fumar porque o cheiro incomoda as damas” Ele disse quando ofereci um cigarro. A primeira característica impossível de deixar escapar em Remy LeBeau é o sotaque forte, um charme francês que nenhum outro mutante tem. Apesar de alto e forte, Gambit não é exatamente o protótipo do galã de desenho: cabelo ruivo desgrenhado, olhos vermelhos, mas o look de bandido derrete qualquer gelo rapidinho. Os treinamentos de luta com os X-Men garantem o corpo bem torneado, mas ele não faz o tipo metrossexual: nada de cremes nem cuida do cabelo.Muito ágil com as mãos, ele não parou de brincar com aquele baralho brilhante durante toda a entrevista. “Só jogo pra ganhar, e as apostas muito altas me deixam ainda mais animado. É assim também com as mulheres.” Cafajeste? Ele confessa que às vezes quer ficar com todas. “Pode parecer muito, mas garanto que nenhuma delas nunca se arrependeu.” Diz, muito autoconfiante. Mas quando pergunto sobre seu maior sonho, ele dá a entender que ainda vai encontrar uma para ficar a vida inteira. “Já beijei meu maior sonho algumas vezes, mas ela ainda tem que se decidir se é só comigo que ela quer jogar.” Quem não quer um desses?

Revista COSMOPOLITAN NOVA
Mulher-Maravilha aproveita merecidas férias na Ilha de Caras
Quem a vê relaxando pelos spa’s da Ilha, vestindo apenas um roupão branco, nem imagina a mulher que se esconde por trás daqueles longos cabelos negros, seios fartos - “são naturais!”– e 1,80 metros de altura. Princesa de Temiscira, a Mulher-Maravilha é filha de Hipólita, rainha das Amazonas, que a criou a partir de uma imagem de barro. Talvez venha daí a pele impecável que a morena exibe, mesmo após anos de lutas contra Ares, o deus da guerra. A receita desse barro milagroso a heroína esconde a sete chaves, assim como a idade. Sua primeira aparição em público foi em 1941, já na capa da revista de quadrinhos DC Comics. A partir daí passou a integrar a Liga da Justiça, juntamente com o Super-Homem e Batmam, gerando rumores de que Maravilha teria se relacionado com eles (em diferentes momentos, claro!). A heroína não confirma nem desmente, apenas diz que no século XXI os homens ainda não estão preparados para viverem com mulheres fortes, capazes de rivalizarem com eles, com grande agilidade e resistência física. “É mais fácil se relacionar com simples mortais ou com mulheres que miam para eles durante a noite”, lamenta a bela, que sofre com a incompreensão dos homens. Embora ela seja telepata, é impossível ler a sua mente devido à tiara que sempre a acompanha.

Revista CARAS
X
Misturando açúcar, tempero e tudo que há de bom, o professor Utonium esperava criar as garotinhas perfeitas. Teria dado certo se ele não tivesse derramado na mistura, acidentalmente, o misterioso elemento X. Dela nasceram Lindinha, Florzinha e Docinho, três garotas com super poderes.
Esse episódio aconteceu há 12 anos, mas desde então pouca coisa se sabe a respeito do elemento X. As pesquisas na área são prejudicadas porque até hoje apenas 5 seres foram afetados por ele. Além das Meninas Superpoderosas, estão nessa lista um esquilo e o arquiinimigo das garotas, o Macaco Louco.
Pesquisadores da Universidade de Townsville vêm tentando coletar amostras do sangue de algum dos afetados há anos, mas nenhum deles se mostra disposto a ajudar. Segundo os estudiosos, o Elemento X pode ter causado alguma modificação específica no DNA, mas isso ainda precisa de comprovação. Em entrevista à Super, o Professor Utonium não quis dar maiores informações sobre o elemento, dizendo apenas que “o fabricava em casa mesmo”.

Revista SUPERINTERESSANTE
À moda BEM antiga
Baixinho, troglodita, coberto de pêlos. Esse poderia ser um parente se o personagem dessa descrição não estivesse sempre com um porrete e acompanhado por três gatas: Brenda, Tiffan e Jamie. Em busca do segredo de Capitão Caverna - que há anos combate o crime com as panterinhas - a Playboy fez um rápido bate bola com o Herói. Caverna fala sobre suas origens, seu trabalho e suas mulheres.
Como você conquistou uma loura, uma ruiva e uma morena?
Brenda, Tiffan e Jamie fizeram dezoito anos e resolveram combater o crime , mas precisavam de alguém pra fazer o trabalho braçal. Porque o crime é animal, você sabe... Como meu porrete não pede licença me juntei à elas e estamos aí todo mundo junto e feliz.

O que é mais difícil, agüentar três TPMs ou combater o crime?
O difícil é guardar tanta coisas debaixo dos pêlos e comprar gasolina pro meu porrete ( senão ele não voa). O resto a gente acostuma.
Da onde veio a força do seu grito?
Sei lá. Eu nasci assim, com um grito f*, e com uma cabeleira que pode esconder um infinito neanderthal. Pra que eu vou querer saber? Funciona, é meu charme.
E de caverna você veio?
Meu filho, você é bobo? Na época das cavernas não tinha endereço nem CEP. Caverna é caverna ué.
O que você acha de mulheres que gostam de homens românticos e sensíveis?
Eu tenho 3, Não vou discutir, estou com fome. Tem comida aí?
Você não tem medo de ser substituído no quarteto, a diferença de idades é muito grande...
Nossa relação é ideal. Elas me dão o que eu quero eu dou o que elas querem. Eu venço o mal, tenho um porrete bacana que voa e elas nunca precisam usar bolsa quando andam comigo, vai tudo debaixo da cabeleira. Enfim, eu me garanto.
Qual é o segredo do seu sucesso Caverna?
Um ovo de dinossauro no café da manhã e manter a pegada forte.

Revista PLAYBOY
Invisibilidade zero
Capacidade de sumir e de fazer desaparecer. Esta é uma habilidade que muitos homens gostariam de ter, principalmente quando a namorada resolve iniciar uma longa DR em pleno sábado à noite, ou quando o chefe chega no escritório para exigir um serviço que ele queria para ontem.
Infelizmente, essa opção só está nos gibis e, mais especificamente, na Mulher Invisível do Quarteto Fantástico. Susan adquiriu este poder ao entrar em uma nave espacial com Richards, Storm e Grimm, após o voo em que eles estavam ter sido interceptado por raios cósmicos que dotaram os tripulantes de estranhos poderes.

Não estamos falando tudo isso à toa, e nem interessa saber que super poderes os homens dessa história em quadrinhos que virou filme possuem. O que realmente importa são os atributos da bela Mulher Invisível interpretada por Jessica Alba. Poderosa, ela enche o imaginário masculino com a personalidade independente da personagem, se é que algum homem está preocupado com isso ao ver este ensaio sensual da loiraça.
Revista VIP
Super ogro

Grande, musculoso e incansável. Ele é a síntese do que muito fortão por aí é ou gostaria de ser. Só tem um detalhe: o grandão que reúne essas qualidades também é verde e repugnante. Herói às avessas dos quadrinhos, o incrível Hulk é o estereótipo dos atletas que extrapolam na malhação e, principalmente, nos suplementos. Assim como o personagem, cuja aparência de monstro é culpa dele mesmo – foi vítima da radiação de uma bomba que fabricou –, quem faz das pílulas e injeções de anabolizantes uma extensão da academia também carrega a responsabilidade das transformações no próprio corpo. Além da agressividade que aflora como no gigante esmeralda, enquanto os músculos crescem, a bomba faz minguar outras funções preciosas. Testículos atrofiados são só o começo. Os brutamontes detonam o fígado, perdem cabelo, enchem o rosto de acne, elevam o colesterol às alturas e emburrecem (é um tiro na memória!). Quem toma anabolizante ainda pode ver os peitos crescerem como os de uma mulher. Não há força verde ou super poderes que resolvam.
MEN'S HEALTH
Johnny Storm s2 *_*
É um fofo mesmo esse Johnny Storm, sempre foi um dos nossos gatinhos playboys predileto – polêmico, esportista, astronauta e irmão da estilosíssima Susan Storm, que aliás adotou um visual maravilhoso depois que ganhou esses poderes super úteis de invisibilidade.
Mas ah, o Johnny, nosso gatinho viajou semana passada pro espaço e voltou de lá muito mais quente do que já foi. Num acidente qualquer lá envolvendo uns raios cósmicos esquisitissimos, o Storm ganhou poderes e agora além de herói dos nossos corações, ele é nosso super-herói de todas as horas, como sugestivo e tentador nome de Tocha Humana... eu não ligaria de sentir esse calor não , viu Johnny?
E nosso ídolo maior não perdeu a chance de ganhar de vez nossos corações e os das desavisadas que ainda não o conheciam. Assim que chegou ao espaço, garantiu ,em declaração à nossa sortuda repórter “podem esperar que no céu de Manhattan ainda escreverei muito meu nome. E vocês saberão que eu estou por perto...se não souberem , podem me ligar,quem sabe podemos marcar um jantar no Edificio Baxter?”.
Quem não gostou nada disso foi o Redd Richards, nosso charmoso cientista que não queria transformar seus amigos numa equipe de heróis. E o Coisa quer bater no nosso Johnny! Meninas, não deixem que o Quarteto Fantástico acabe como nosso muso!

CAPRICHO
O exército de um homem só
Um dia foi fraco e esquelético. Apesar da saúde debilitada Steve Rogers não mediu esforços para defender seu país em tempos de Guerra. “Faria qualquer coisa”, ele deixou claro na época. E foi o que fez: tornou-se parte de um perigoso projeto para criação de super soldados. Transformou-se em um superatleta.
Ele deveria ser só mais um em um vasto exército. Não esperava que um agente duplo infiltrado assassinasse o cientista responsável. Rogers tornou-se único, símbolo de uma nação, e recebeu o título ufanista de Capitão América.
Celebridade instantânea, seu combate aos nazistas na Guerra o fez herói em uma sociedade que vê o combate como oportunidade de se provar superior. Mas o estrelato não durou e ele caiu na obscuridade após o fim do conflito.
Hoje ele está na luta, mas por sua saúde. O projeto Supersoldado lhe debilitou. Com resquícios de vaidade, não fala a idade, mas os cabelos brancos revelam que é avançada. Steve, como pede para ser chamado, lamenta ver seu país em tempo de crise. Ele depende do sistema que ajudou a fortalecer – só que não encontra amparo.
CARTA CAPITAL
ATIVIDADE 3 - Super-heróis
"Capitão Caveeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeerna" - Capitão Caverna
"Super gêmeos, ativar" - Super Gêmeos
"Espada justiceira, dê-me visão além do alcance" - Thundercats
"Para o infinito, e além" - Buzz Lightyear
"Sigam-me os bons" - Chapolin Colorado
"Para o alto e avante" - Super Homem
"É hora de morfar" - Power Rangers
"Eu tenho a força!" - He Man
Super-heóris sempre estiveram pelo mundo. Com suas frases características, eles sempre estão prontos para salvar todo mundo, cada um do seu jeito, é lógico. Agora imagina se o seu personagem favorito pudesse aparecer em uma revista?
Os alunos do Laboratório Outro Sentido fizeram isso. 1000 caracteres, e revistas específicas para cada um. Então vamos lá...
segunda-feira, 29 de março de 2010
O que é um pontinho laranja na multidão?
Ela é viciada em internet. Tem Fotolog, Orkut, Myspace, Facebook, Twitter, MSN, Last.fm. Dezesseis anos e já deu muita dor de cabeça em casa: matou aula, pegou várias recuperações, recebeu suspensão e a mãe foi chamada ao colégio porque ela estava comendo restos do lixo (entenda por “lixo” um pacote de biscoito ou de chips pela metade abandonado na mesa). Mas tudo isso não passa de hiperatividade, falta de sorte e intolerância dos outros com quem pensa e age diferente. Seu um metro e 75, moicano colorido, piercing e alargador dificilmente passam despercebidos. Encontrá-la no meio da multidão é uma tarefa fácil. Procure por um pontinho laranja e lá estará Aline.
Desconhecidos no ônibus
Ela jamais entendeu porque não converso com desconhecidos dentro do ônibus. Toda mãe costuma dizer aos filhos para jamais falarem com estranhos. A minha não, ela acha importante o contrário, leva um pouco ao pé da letra aquele ditado que diz que quem tem boca vai a Roma. Não que ela acredite em ditados populares, na verdade nem acredita e jamais foi a Roma. Possivelmente crê poder ir, ou, ao menos, dentro do ônibus, ela pensa que, mais do que ser levada até a parada do veículo, pode descobrir coisas que sequer achava possível. No fundo, um dia irá mesmo até Roma, talvez por essa admirável capacidade de olhar para o futuro e perceber no desconhecido do ônibus alguém legal desse futuro próximo.
Marquim: o carismático
Pichorra, Cabelinho, Zé Roela ou simplesmente Marquim. Para a namorada, é Amor. Marcus apenas quando o clima não está nada bom entre o casal. Mas bem que o apelido dele podia ser Autoconfiança. Essa qualidade sobra nesse garoto, que consegue influenciar e persuadir diferentes tipos de pessoas com uma facilidade incrível.
Estuda Comunicação, tem uma banda de Rock, atua em duas peças e trabalha como projetista. Mas se pudesse, explodiria o escritório de engenharia e nunca mais faria um cálculo sequer. Se tem uma coisa que ele definitivamente não gosta é a tal da matemática.
A verdade é que esse mineirinho de Brasília é a própria comunicação em ação. Sua especialidade é trazer as idéias à vida e transformar tudo ao seu redor. Sempre pra melhor.
Em vermelho
A reunião começou - uma hora de atraso, como de costume. Para dar início, Estevão sintetiza a pauta. A sobrancelha levanta. A fala sai tranqüila e bem argumentada. Muito natural. É fácil ser convencido. Só 23 anos, mas muita autoridade. Quem vê pensa que a política é tradição na família. Mas não. Foi o primeiro a se filiar a um partido. Em 2005, por causa do mensalão. Não era hora de desanimar com a política. Em 2006, foi para Lisboa militar pelo PT. Voltou em 2008. Objetivo: formar na UFMG um núcleo do partido. O jeito seguro, a fala articulada e sempre convincente, tudo nele é político. Mas quer ser professor e militar pela educação. Sindicato, talvez. É pouco – você vai pensar, enquanto ele fala
Alzira no céu, Jesus na terra
Baixinha, delicada e energética. Não há quem não se encante com a simpatia de dona Alzira, uma jovem senhora que, no auge dos seus 85 anos, esbanja saúde e disposição. A caminhada matinal é sagrada, faça chuva ou faça sol. Às cinco da manhã ela já se arruma para uma maratona de voltas em torno de uma das sete lagoas da cidade em que vive. Cozinheira de mão cheia, começa cedo os preparativos para o almoço, que mesmo simples é de dar água na boca. Constantemente recebe ligações da França solicitando a ajuda no preparo de um bolo gelado, considerado unanimemente pela família a sua melhor sobremesa. Não é à toa que seu livro de receitas é a herança mais cobiçada entre as netas. Religiosa, vai todo dia à missa, mas é mesmo em casa que se encontra com Jesus, seu marido há quase 60 anos.
E eu idem
O nome já nem importa muito. Ele é um dos casos em que o apelido acaba se tornando mais importante: Idem. Amigo já de longa data, ele é um nerd que passa as horas de lazer dividido entre um livro de física e um de análise. Nem preciso falar que essa obsessão me irrita muito. Aliás, ele é insuportável. Sua inconveniência e insegurança são especialmente chatos. Mesmo assim ele é meu companheiro de aulas matadas à toa, de conversas avulsas, de viagens furadas, de trabalhos picaretados. Um amigo, um irmão.
Casa de espelhos
Em 10 de Abril de 1960 ele nasceu. Anos mais tarde, por causa disso eu também. Pode parecer injusto que uma existência determine outra, mas Freud não só achou natural como ganhou fama ao explorar as nuances do fato. Em boa medida Darwin também. Assim, ele tem, eu tenho: cabelos anelados, olhos pequenos e estatura mediana. Porque é um ex-hippie convertido ao capitalismo que apesar do nome alternativo e da fala descolada eu penso em ganhar dinheiro. Porque ele não é de falar muito ou alto, acabei escolhendo sempre muito bem minhas palavras e chorando com propaganda de margarina. Filhos? Filhos a gente cria para o mundo e os dele deveriam ser independentes, lutar pelo que querem. Só errou em disseminar seus ideais tão bem: a gente se ama, mas eu sou preto e ele é branco.
Acelera / Desacelera
Em um morro, basta pisar no acelerador. Fabiana fez isso, mas não esperava que o sinal fechasse bem no meio do caminho. Freio, embreagem e um gemido de preocupação com o que viria depois. Olhos fixos na luz verde que acenderia a qualquer momento, ela passa as mãos nos cabelos lisos e loiros, e os deixa escondidos atrás da orelha. Tudo isso para não perder a concentração. O clima é tenso, e eu peço calma à minha irmã. O carro morre duas ou três vezes antes de continuar a subida. Ninguém buzina, mas ela fica nervosa e se desespera. Em certo momento, achei que ela ia sair do carro e desistir. Fabiana xinga e se exalta à toa. Cinco minutos depois, chora, porque, na verdade, é uma manteiga derretida.
Eu cinza, ela rosa
Se fosse patológico, ela teria transtorno bipolar. Uma hora é a pessoa mais feliz do mundo, ri dos próprios problemas, e faz graça para todo mundo. De repente, se transforma em alguém extremamente irritável, que reclama que está sem dinheiro, que engordou, que sofre demais e que tem diabetes, mesmo sem ter. Se pudesse escolher uma fase da vida estaria na adolescência. Pelas mudanças bruscas de humor, pelo jeito que se veste e se comporta. Tudo porque por um incidente, pulou essa parte da vida. Todo mundo acha que eu poderia ser mãe dela, porque eu uso cinza e ela rosa. Mesmo usando rosa é uma das pessoas mais fortes que já conheci. E é a bipolaridade que faz dela tão especial.
Quem ensinou a falar
Vai para a escola hoje? (faculdade) Depois o estágio? (como todos os dias) Volta para o almoço? (sabe que não... De repente, a resposta extrapola o pensamento e sai audível. Ela não gosta do tom e reclama. Eu justifico: mas ainda nem acordei; a conversa é muita para a hora. Para ela, não há hora sem conversa. A paz dela é agitada. Mal se levantou e já tem em mente e na ponta da língua os casos que merecem ser contados. Fala até os ouvidos pedirem para parar. Quando para, é o silêncio que incomoda. Concentrada apesar de inquieta, é tímida por dentro, ela jura. Mãe que é, dá bronca segurando o riso, se ofende segurando o choro, chora de tanto rir e perde as palavras quando a alegria extrapola o riso.
Um quadro
Poderia se passar facilmente por um personagem de animação. Cabelos brancos, óculos quadrados, levemente gordinho, baixo. Fala com calma. Os alunos acompanham o que diz com atenção, mas alguns se distraem no meio do caminho. A viagem só é interrompida por um som alto, destoante da aparência serena: sua risada extravagante, que chega sem dar aviso e se vai rapidamente. Quem o vê falando com segurança sobre cinema não imagina que possa se exaltar, mas logo descobre seu ponto fraco – a Segunda Guerra Mundial. Suspeita-se que seja judeu, mas não importa. A atitude de Luiz Nazario quanto ao assunto é clara: esse é um campo minado, e ao se aventurar por esses caminhos é preciso cuidado – ele pode se ofender.
Mulheres (2) mil
Azeite vencido
Os olhos angelicais e lindos cabelos longos fazem parte dum conjunto físico ingênuo,quase infantil apesar da idade. Não se engane, essa oliveira que é tão bela é incapaz de produzir um bom azeite, que dê aquele sabor bom de almoço na casa da avó. Parece mais uma comida feita as pressas, só pra não morrer de fome, cadê o gosto em gostar de um azeite assim? Doce voz, carinhosa ao toque, folhas verdes e produção farta. Só não deixe cair no seu prato predileto: vai azedar.
De F até A
Foi por acaso que a dita cuja se aproximou tanto que virou amiga, das melhores. Lembro que no primeiro dia que a vi, já descobri: um sorriso sempre aparecia espontaneamente pra receber a gente. Alegria! Veio a palavra comigo quando descobri que já tinha achado alguém pra me ajudar, confortar, rir comigo nas horas difíceis dessa vida acadêmica. Irresistivelmente carinhosa, invariavelmente bela, encantadoramente doce. Amizade dos cabelos castanhos e da pele alva,do olhar sincero e da risada boa, essa é pra sempre.
ATIVIDADE 2 - Perfil
Sobrenome:
sexo: ( ) feminino ( ) masculino
relacionamento:
data de nascimento:
ano de nascimento:
cidade:
estado:
CEP:
país:
idiomas que falo:
escola (ensino médio):
faculdade:
empresa/organização:
Interessado(a) em:
Quem sou eu:
Não, isso não é o Orkut. É só para mostrar o quanto estamos acostumados em preencher perfis, principalmente sobre nós mesmos. Na era das redes sociais, essas perguntas são cada vez mais automáticas e todos nós já sabemos de cor "Quem sou eu".
Agora pense em alguém. Com certeza você já deve ter passado por alguma experiência de descrevê-la para alguém. Então vamos ao desafio: descrever alguém que você conhece dando um Outro Sentido para a coisa. As regras: 700 caracteres, título com 20 caracteres e o texto deve deixar bem claro a sua opinião com relação à pessoa. Vamos ver o que saiu?
domingo, 28 de março de 2010
5 sentidos e só mil caracteres
Apesar da inexistência de qualquer brisa, a sensação que tenho não é de calor, nem de frio. O cheiro é agradável, uma mistura de terra e concreto molhados. Ouço o barulho consecutivo de rodas em movimento. Ao longe, um passarinho solitário canta, entrecortado pelo som de um bip, contínuo e incômodo. Passos por todos os lados, alguns distantes, outros muito próximos.
“Lanchonete e Restaurante” são as primeiras letras que vejo. Logo adiante, há um longo canteiro com flores amarelas. Atrás dele, estão mesas e cadeiras de plástico azuis. Em outro ângulo, ao longe, encontram-se indícios de uma obra em andamento. Pessoas passam, três delas correm. Vêm de todas as direções, carregando mochilas, bolsas, capacetes, usando uniformes. Mais letras: “104,5FM UMFG Educativa”. Muitos carros e um caminhão cruzam a rua a minha frente. Há árvores e mato por toda a parte. Percebo uma moto estacionada em um lugar um tanto inusitado. Por fim, ainda mais letras: Nossacoop, Banco do Brasil, Banco Real e Caixa.
Possibilidades de algum encontro
O que pode significar sentar-se no meio fio na vã expectativa de que algo possa acontecer em um dia cinzento de chuva insistente?
Talvez os taxistas, escondidos em seus veículos, pensem ser aquele um dia de grande trabalho, afinal as pessoas, como a moça de trajes brancos, não querem sujeira de terra para o encontro que tem mais tarde com o novo namorado. Ou então o velho professor, que se equilibra com livros, pasta e guarda-chuva e prefere como opção adentrar um dos automóveis para, quem sabe, chegar a casa antes do jornal.
Mas há outras possibilidades: ao invés de pegar um passageiro, um desses nobres homens do movimento prefere a imóvel possibilidade de observar, bem a sua frente, aquele que, com guarda-chuvas empunhado, permanece, sentado, no meio do nada, para apenas olhar, na esperança de ver algo que seja. No jogo de impossibilidades, soam os cinco minutos de um cronômetro, os primeiros postes de luzes se iluminam e a essa hora a moça de trajes brancos já ruma para seu encontro.
A Praça e seus encantamentos
Vida e tranquilidade. Essas palavras traduzem a UFMG que eu vejo daqui. Depois de tantos encontros, como posso tê-la visto dessa forma apenas agora?
Quando o sol adormece, o barulho mais alto que se escuta é o canto das cigarras. Vez ou outra, risadas e conversas animadas de amigos que passam na maior parte das vezes aos pares, também dão vida ao ambiente.
É estranho ver mais carros que pessoas, todos iluminados por aquele tom amarelado brilhante das lâmpadas. Mas nem por isso o Campus fica menos bonito ou vivo. A negritude do céu e a luz artificial conferem uma beleza diferente, única naquela pequena unidade espaço-temporal.
É engraçado pensar como todos os dias centenas de vidas se cruzam naquele local e experiências das mais variadas ocorrem. Corredor de passagem para alguns, motivo de encantamento para outros. A Praça de Serviços também é palco da vivência cotidiana.
Agora, o coração da Universidade bate calmo, prepara-se para o seu merecido descanso. Mas continua vivíssimo. Nunca o vi tão colorido.
Formigueiros nunca dormem
A comprida Reitor Mendes Pimentel pode ser facilmente comparada a qualquer coisa com uma atividade impressionante o dia todo: vulcão, rio, panela de pressão. Mas ignorar as centenas de pessoas que fazem a Universidade pulsar é rejeitar sua própria essência. Então, nada mais divertido do que ver as pessoas apressadas como formigas pequenas, preocupadas, levando pacotes pesados nas costas, cargas penduradas nos braços-patas ou simplesmente seguindo em fila para algum destino desconhecido. Agora a atividade já não é tão intensa como fora há horas atrás, mas, ainda assim, espanta. Nas galerias iluminadas ao longe – FACE, FAFICH, Letras, Reitoria – incontáveis formigas se reúnem para trabalhar ainda mais em suas cargas. Aqui, do lado de fora das galerias verticalizadas, grandes carapaças de metal e olhos refletores esperam, enfileiradas, o momento em que vão levar suas formigas para as moradas mais distantes. Desde o início do texto, uma cigarra canta sem parar e sem perder o fôlego. Como na fábula, ela me lembra que sou formiga e é hora de voltar ao trabalho.
“É pau, é pedra, é o fim do caminho”
De pé, em frente à principal avenida que dá acesso à universidade, a sensação é a de que todas as coisas vão ou vem a mim. Estou parada, em frente a essa avenida de mão dupla, pista dupla, e canteiro central único. Canteiro este que funciona como um divisor de águas na minha paisagem. À esquerda, um grande gramado se estende até um prédio que se assemelha mais a um bloco, de forma retangular, revestido de concreto nas laterais e vidro na frente. É o prédio da reitoria, que tenta disfarçar sua “quadradez” com uma escultura bem moderna à frente. Bem na sua frente, do outro lado da rua, um gramado, não tão extenso e pouco uniforme, dá acesso a um prédio de formas também quadradas, mas bem mais chamativo que o primeiro. Talvez por ser vermelho, talvez por sua maior extensão. A FACE vai até um prédio mais ao fundo, tímido, quase se escondendo entre a imponência do novo vizinho e o verde das árvores que a cerca. Em frente à FAFICH, tudo verde, até meus olhos não alcançarem mais. À minha frente, árvores verdes, ruas de calçamento geralmente cinzas, por ora marrom. “É o carro enguiçado, é a lama, é a lama”.
Um tempo que cheira assim
Lá bem longe debaixo do sol escaldante o bravo guerreiro estica os músculos e o mal cheiro já começa a subir espero que não seja dele porque duas lindas garotas e um belo rapaz vem em minha direção que não pensem que seja eu enquanto centenas de pessoas perambulam pelo meu lado e um trovão ecoa ela atende o telefone é a amiga que sabe agora da manota justo quando Papai ligou e chega o companheiro do nosso guerreiro solitário que talvez começasse a cheirar tão mal quanto o fétido esgoto que entrava pelas minhas narinas enquanto perdia-se a ligação do telefone e esperava-se que o pai perdido desse a volta correta para buscar a jovem moça de cabelo preto e corpo mignon que já se despedia avidamente do rapaz de olhos claros que fora buscar seu carro enquanto a charmosa moreninha esgueirava-se para trás de mim donde a perdi de vista quando um rapaz passava assoviando chamando alguém que nunca respondeu e o jovem guerreiro de blusa azul dava seu primeiro golpe quando a buzina tocou.
Por onde passa a pausa
O sol bate forte sobre o chão de cimento. Nas poucas sombras que se formam, sob um arbusto de copa rala, pessoas, que poderiam ser uma só, se abrigam. Elas não se olham nem conversam. É um silêncio solitário. Encostado a um canto, um homem de regata deixa à mostra uma tatuagem tribal já desbotada. Sentada em um banco, uma senhora oriental lê seu livro sem parecer se incomodar com a radiação que bate sobre as manchas esbranquiçadas de vitiligo. Um pouco à frente, uma moça alta, clara, flácida, com cara de poucos amigos acende um cigarro, que eu também fumo por observar. Logo atrás, duas mulheres são as únicas que falam, mas tão baixo e em gestos contidos que mal se ouve o que dizem. Ao redor delas, outras pessoas passam para ir à lanchonete, ao banco, encontrar um amigo, talvez. É um movimento parado, daquele que não faz barulho. Na ágora, mais gente sentada, exercendo a atividade de não fazer nada. A tenda que lhes cobre é de um vermelho abafado que parece congelar os movimentos pelo calor. Nos minutos que antecedem o almoço, a UFMG que eu vejo é tão lenta e abafada quanto o vento que passa fingindo refrescar.
300 segundos
Uma manhã nublada como outra qualquer. Alguns estão só de passagem e, com um andar determinado, cruzam a praça rumo a mais um dia comum. Ao som dos carros que passam apressados, outros sentam e esperam talvez pela coragem de enfrentar o começo de uma nova semana. Um casal sorri, alheio ao que se passa ao seu redor.
A livraria está fechada, ninguém entra nos Bancos, poucos se demoram naquele lugar. Aparecem e um passo, dois passos, muitos passos depois, já não estão mais lá. Tão cedo, a Universidade não parece tão jovem e cheia de vida. Cansados, apressados, absortos em pensamentos, cada um vive quase em mundos isolados.
Nessa mesma órbita, apenas um grupo é diferente dos demais. Seis amigos sentados em frente ao único lugar que já acordou do sono da noite anterior. Conversam e tomam café. Não fazem barulho, não falam muito alto, fazem parte desse dia sonolento.
Uma garota boceja longamente, um homem se senta debaixo de uma árvore e se junta ao clima de espera. O casal se despede animado.
Era uma vez na UFMG
Parecia filme de faroeste. Os prédios em volta da Praça de Serviços eram como salons: todos acesos, mas sem movimento aparente. Não tinha nada nas ruas. Só faltava uma bola de palha rolando para compor o cenário de solidão. Também pudera, ninguém em sã consciência espera encontrar movimento na UFMG às 10 da noite.
Como não tinha nada para ver, fechei os olhos e fiquei lá escutando uma cigarra irritante que cantava em algum do ICB. Completo silêncio novamente. A universidade parece não funcionar à noite. Às vezes passava um carro atrás de mim, mas parava por aí.
Então um grupinho animado de meninas apareceu. Eu as ouvia falando sobre carteira de motorista, sobre aulas e reprovação em exames de direção, em quantas vezes cada um teve que repetir a prova. Elas falavam, falavam e falavam. E eu nem precisei me esforçar muito para ouvir, já que resolveram sentar ao meu lado na escada. Um, dois, três, sei lá quantos minutos se passaram. Foi um alívio ouvir meu celular e ver que eu já podia sair dali.
A UFMG que reluz, não é ouro
A UFMG que vejo daqui se esconde da chuva como pode. Quem não tem sombrinha improvisa com livros, casacos, ou papéis. Alguns trabalhadores com capas de chuva tentam limpar a lama da pista, que atrapalha os carros desde o dia anterior. Outros trabalhadores limpam vidraças, transportam dinheiro em segurança, varrem o chão, ou só conversam. A UFMG que eu vejo daqui parece ter poucos estudantes, e muitas pessoas ocupadas com qualquer coisa. Em ir ao banco, em almoçar, em tirar Xerox, comprar remédio na farmácia, ou resolver algum problema. Verdade é que a maioria das pessoas parece estar com pressa, não sei se por causa da chuva ou se porque a Praça de Serviços é um lugar tipicamente apressado. Claro que uma minoria conversa tranqüila, como se pudesse ficar ali o dia inteiro, mas esses são tão poucos, provavelmente os estudantes. Não porque estão visivelmente desocupados, mas pelo jeito de vestir e idade que aparentam ter. A UFMG que vejo daqui se parece com mil lugares, menos com uma universidade.
Cabelo ao vento
Fazia muito calor. Calor desses que no sol sente-se o couro queimando e começa-se a suar revoltantemente. Todavia não era uma calor generalizado e sentia-se que na sombra devia ser até bem fresco. Ventava e não parecia haver muita gente. Algumas vozes passaram perto, sendo a maioria delas femininas. Além desse barulho tinha também o dos pássaros , de carros, de ônibus e de um helicóptero. Então abri os olhos. A UFMG que eu vi dali tinha grandes áreas abertas, muita grama, três grandes prédios e um significativo transito de automóveis e pessoas. Trechos da paisagem estavam em obra. A avenida impressionou pelo tamanho de seus coqueiros e de outras árvores de grande porte. Se fosse um quadro essa vista seria marcada pelo azul, verde, amarelo e vermelho. Se fosse uma foto estaria estourada. As pessoas que passaram por ali diferiam bastante em gênero, idade e estilo, mas ninguém corria e poucas andavam sozinhas. É certo que muitos eram jovens e carregavam mochila, mas quase nada além disso indicou que se tratava de uma instituição de ensino. Para os mais atentos estava lá a bandeira da UFMG a tremular em frente ao prédio mais cinza.
Espreguiçando antes de acordar
Sempre vi os lugares amanhecerem. Desde que eu era pequena, minha mãe me deixava na escola bem antes do início das aulas, porque precisava chegar cedo ao trabalho. Enquanto isso, lutando contra o sono, eu observava as pessoas chegarem, aos poucos. Torcia para que tudo ficasse cheio bem rápido, porque aquela sensação de que só eu estava pronta me deixava ansiosa, como se estivesse perdendo tempo. Podia ter dormido mais ou tomado um café demorado. Mas não.
No primeiro degrau da Praça de Serviços, relembrei esses pensamentos que não tinha há pelo menos um ano. Ao longo da faculdade, ver a UFMG ainda vazia se tornou artigo raro, já que, pelo contrário, comecei a chegar em cima da hora.
7 e pouco da manhã, e o número de pessoas na Avenida principal crescia. Algumas andavam rápido, e outras iam lentamente, lendo jornal no longo caminho desde a Antônio Carlos. Estas, provavelmente, também estavam ali antes do horário em que deveriam estar, ou podia ser só preguiça. Afinal, era sexta-feira.
ATIVIDADE 1 - A UFMG que eu vejo daqui

Quem estuda na UFMG conhece muito bem este lugar. Bancos, xerox, restaurante, DCE, feirinha de artesanatos. Essa é a Praça de Serviços, o principal local de encontro dentro da universidade. Pessoas passam por lá o dia inteiro.
O desafio era o seguinte: ficar parado no alto da escada da Praça por cinco minutos, seja de olhos fechados, abertos ou o meio termo disso. Depois era só escrever 1000 caracteres sobre aquilo que você viu, sob um título com 30 caracteres. A partir de agora nós vamos ver o que os alunos do Laboratório Outro Sentido aprontaram na Praça de Serviços.
domingo, 21 de março de 2010
Que os jogos comecem
Essa é a proposta do laboratório Outro Sentido, matéria oferecida pelo curso de Comunicação Social da UFMG. A proposta é simples: produzir a revista Outro Sentido. É simples, mas nem tanto. Ela não chama Outro Sentido à toa. É preciso dar outro olhar para o modo como o jornalismo é tradicionalmente feito e escrito. E nada melhor para exercitar isso do que escrever e escrever.
Toda semana serão postados aqui os exercícios de estilo e escrita dos alunos da disciplina. Vai funcionar da seguinte maneira: um texto/desafio inusitado será proposto semanalmente. A partir das especificações, todos os alunos irão produzir textos de acordo com as limitações impostas.
As regras estão na mesa. Prontos para os jogos?