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sábado, 12 de junho de 2010

Maísa Gontijo, estudante de jornalismo


O início da tarde se aproximava e Tamira prolongava seu almoço ao máximo. Quanto mais tempo enrolasse na mesa, melhor. Não porque tinha um grande apetite. Muito pelo contrário: não gostava de comer e desde cedo teve um regime bem diferenciado. Com intolerância a leite de vaca, cresceu à base de mamadeiras de gelatina, e a cada dia exibia uma refeição de cor diferente: vermelha, verde, roxa... Cores exuberantes que dariam água na boca de qualquer criança, mas não em Tamira. Talvez por isso foi uma criança fraquinha, crescida à base de biotônico Fontoura com leite condensado que, em uma crise de overdose, lhe rendeu uma brava estomatite. Vontade latente de crescer e ficar forte? Sim, o que ela mais queria naquele momento era acumular as forças de She Ra, sua heroína, e combater o asqueroso e temível Rafael, um garoto arrogante e metido a filho de policial, no colégio Sagrado Coração de Jesus, para o qual a frágil mocinha era levada aos prantos diariamente. Era questão de minutos para que se encontrasse com Rafael e suas terríveis ameaças de matar os seus pais. O por que de tanta ira nunca foi compreendido, mas o fato é que Tamira sentia por esse garoto uma repulsa imensa, semelhante à que sentia pelos garotos que comiam chips com Danoninho no recreio. Só que maior. Muito maior. Chegava a imaginar que a casa de um garoto tão repugnante só podia ter um banheiro igualmente asqueroso, daqueles bem pequenos, imundos e fedorentos, assim como a sua personalidade. Se a pessoa é chata, não pode ter um banheiro legal, e vice-versa.
Outros seres davam medo na pequena Tamira: ETs, chupacabras e a Tia Doca. Não que esta fosse muito brava, mas o medo de ser reprimida por derramar leite ou deixar os brinquedos esparramados a deixavam sempre alerta quando a tia estava por perto, e essa presença era constante, já que Doca e o marido dividiam o apartamento com os pais da Tamira. Mas fora os momentos de apreensão, era uma menina muito feliz, principalmente na presença dos primos Thaynã e João Vitor. No jardim da casa da avó, passavam a tarde brincando de meninos perdidos, uma espécie de projeto daquele que seria um dos maiores seriados da TV. Ali imaginavam que tinham ido acampar com os pais e estes sumiram, fazendo com que eles tivessem que comer plantas para sobreviver. Entre uma graminha e um copo-de-leite (a flor, é claro, já que Tamira não podia beber leite), também gostavam de tocar teclado. E o fato de não saberem tocar uma só nota não era problema, pois os botõezinhos mágicos, que executam uma canção sozinhos, deixavam para as crianças a função de entrevistarem um ao outro, como em um programa de rádio. Mas Tamira queria mais, muito mais, e foi a atração principal da apresentação do colégio, na qual entoou um dó sustenido maior e emocionou a mãe ao som de “Alecrim Dourado”. A fama foi instantânea, e virou alvo principal da câmera recém-comprada do pai. Foi por meio de um de seus vídeos performáticos que a menina que se considerava feinha, de aparelho e cabeçuda ganhou espaço na principal emissora de TV e apareceu no programa da Xuxa.

Assim, desde cedo Tamira experimentou o gosto do sucesso, o que a tornou muito exigente tanto consigo quanto com os outros. Não bastasse ter que tirar as melhores notas no colégio, gostava de esbanjar conhecimento em cima da Penha, empregada da sua casa. E ai da Penha se ela não arrumasse o banheiro direitinho!

Perfil de Tamira Lima

Do mundo para o interior e vice-versa

Tamira Lima, estudante de jornalismo

Primeira e única filha, Maísa Gontijo Pontes nasceu depois de 8 anos do casamento de Caio Mourão Pontes e Sirlene Amaral Gontijo, em 4 de Janeiro de 1988, de parto normal.

Morou até seus 3 anos no bairro Sion, em Belo Horizonte., quando seus pais se divorciaram e Caio mudou-se para Divinópolis e Sirlene para Sete Lagoas . Por algum tempo morou só com a mãe, em cima de uma padaria, e aos 5 anos a dupla se mudou para o bairro Boa Vista, também em Sete Lagoas. As lembranças do Boa Vista parecem ser as que mais marcaram a infância de Maísa. A vida era difícil, pobre, mas contava com muitos vizinhos amigos que brincavam na rua, na casa uns dos outros, batiam campainha e saíam correndo juntos. Maísa foi uma criança que sempre comprava Kinder Ovo e se considerava feliz. Era boa de garfo mas não muito chegada aos legumes. Tinha um casal de velhinhos amigos e foi na cantina do Itamar, no Boa Vista, que Maísa aprendeu a gostar do prato que tem preferência até hoje: salpicão.

Maísa teve uma mãe muito brava e um pai muito manso. Caio Mourão a levava quinzenalmente para Bh onde passavam o fim de semana e as férias na casa de Meibe, uma tia que é como uma espécie de avó por ser a irmã mais velha da família do pai. A mãe Sirlene é artista plástica e não trabalhava muito. Na época de grande dificuldade financeira os pais não se davam muito bem.

A vida se Setelagoana era tranqüila, mas nem tão parada. Muitas das vezes que foi devolver a filha à mãe , Caio tinha que fingir que dormia na casa de Sete Lagoas porque Maísa insistia muito para que não fosse embora. Quando a menina pegava no sono ele partia. Numa dessas vezes, quando tinha 4 ou 5 anos, a menina acordou de madrugada e viu um sujeito andando de cueca na copa. Pensou que era o pai e começou a chamá-lo. Como ele não atendeu ,Maísa voltou a dormir e na manhã seguinte encontrou uma vizinha e um policial dizendo que um ladrão havia invadido a casa de noite.

Maísa estudou em muitas escolas, só no maternal deve ter passado por umas cinco. A 1 ° delas foi a Tatu bolinha e o 1° namoradinho foi o Tomás, que era muito bonitinho, moreno e tímido. Sempre gostou muito de ir escola, era serelepe, mas meio chatinha por ser metida à inteligente e aparecida.

Gostou de ler livros de mistério e a Ilha perdida. Adorava TV Cruj, Confissões de adolescente, e Malhação. Nunca usou nem óculos nem aparelho mas nem por isso se sentiu correspondida por seus outros amores infantis: Gabriel e Wilbor .

Colecionava figurinhas de chocolate surpresa. Certa vez, ao ir buscá-las no alpendre escorregou na escada e bateu a testa. O acidente culminou nos únicos pontos que levou na vida - ainda que não sem dar trabalho, cuspiu na cara do médico que a atendia. Com 11 anos mudou-se para Divinópolis, onde não teve tantas amizades na rua e foi ficando mais tímida e sozinha. Não gostava da escola e foi uma mudança meio traumática.

Menina Maísa teve caxumba, catapora, e piolho e bicho de pé. Teve um gato siamês e muitos ídolos: o primeiro deles foi o Belchior, seguido de Danilea Mercury, Spice Girls, Jota Quest, e aos 12 anos desenvolveu um amor incontrolável pelo grupo Five. Por causa do Five através da revista Antenada Maísa se correspondeu com pessoas do país inteiro, e chegava a receber 10 cartas por dia. O Five também a levou para o Rock em Rio : em 2001 o pai deu de presente de aniversário a viagem ao Festival onde seus ídolos se apresentaram. Ainda criança, adorava a Xuxa e os Mamonas assassinas. Até hoje, conservando parte da inocência daqueles tempos, Maísa sente saudades da Sopa do Popeye de Espinafre.

Perfil De Maísa Gontijo Pontes

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sentidos

Thais Marinho, estudante de jornalismo

A rua, escura. Tudo é silêncio. Só se escuta os passos dele e o seu coração batendo. Mesmo sem ninguém a vista, ele olha ansioso para os lados. O beco nunca pareceu tão longo. De repente, mais um som enche a noite. Passos. Ele não tem coragem de olhar para trás, apenas acelera o ritmo do andado. O outro som também fica mais rápido. Ele acelera de novo. O som atrás fica mais forte. Mais rápido. Mais próximo. A ansiedade salta no seu peito. Ele não agüenta. Corre. O som se acelera ainda mais. Tudo fica explícito. A perseguição, a tensão, o desespero. O beco não termina. Ele não olha para trás, só corre. Finalmente, para os dois, o som o alcança. Um baque forte. Túlio tira os olhos assustado da revista. Olha para os dois lados. A sala, à meia luz, está tranqüila. Com um ar inocente, até. O burburinho que se escuta é o da TV do vizinho. Nem sinal de onde poderia ter vindo o barulho forte de dois segundos atrás. Volta os olhos para o folhetim. O homem sente uma mão gelada tocar seu ombro. Tudo se torna, de repente, muito lento. O outro sentido que é atingido é o olfato. Um cheiro ácido e forte chega às suas narinas. Logo conclui, cheiro de morte. Um vulto passa rápido pelo canto do olho de Túlio. Ele se põe de pé sem perceber, num salto. O coração, descompassado. As mãos, suadas. Os olhos percorrem rapidamente a sala. Impressão ou de repente a atmosfera ficou mais densa? O terceiro sentido a ser atingido é á visão. Tudo se torna opaco e embaçado. Logo, a fala também está comprometida. Nem um murmúrio consegue se soltar da garganta. A atmosfera se adensa ainda mais e se torna malcheirosa. Um odor acre enche a sala. Será o suor que toma conta do corpo de Túlio? A pressão no ombro aumenta e puxa o homem. O que resta das suas forças tenta resistir. Ele não quer ver o rosto dono daquela mão. Seu corpo treme. Por dentro, vazio. A mão o solta e ele desaba. Já sem vida. Fecha a revista, mas os olhos não se movem. A respiração, pouco a pouco se acalma e o cheiro e o peso da realidade o tomam. Pouco antes de levantar os olhos para a sala. Um toque. No ombro. Gelado.

Palavras: Folhetim e morte

Uma nação nas costas de um herói

Thais Marinho, estudante de jornalismo

O uniforme azul e vermelho, com a estrela branca no peito. O tão famoso escudo sempre à mão. Ele não é só um herói dos quadrinhos, o Capitão América é o símbolo da nação mais poderosa do mundo. O Capitão América foi um dos super-heróis criados na época da Segunda Guerra Mundial para levantar a moral do povo americano. O herói antes era Steve Rogers, um homem fraco e de saúde debilitada, mas com uma vontade imensa de ajudar seu país. Ele não consegue entrar para o exército americano e realizar seu maior desejo, mas por causa da sua força de vontade lhe é oferecido uma chance: se submeter a um experimento científico que transformaria seu corpo frágil em um corpo perfeito com força e agilidade impressionantes. Ele se torna, então, um “supersoldado”. O cientista que o criou é morto por um espião nazista e com ele morre o sonho de um super exército americano. Capitão América se torna o único homem capaz de enfrentar os perigos do exército nazista. Capitão América é a salvação, a inspiração para os outros soldados e para o povo americano. Ele é cada cidadão. Ele é todo um país.



Revista VEJA

terça-feira, 1 de junho de 2010

Marina Morais, estudante de jornalismo

Hoje tem os cabelos brancos, mas me parece que os cabelos já eram assim... Se não me engano, via sempre pelas manhãs. Com mais três, sempre. Dos três elementos, dois morreram, para tristeza da garotada. Inclusive a simpatia negra. As roupas pardas envelhecidas e chapéus era a tônica do quarteto. E os estereótipos diferenciavam as quatro personagens: pele negra, cabelo castanho escuro, cabelo castanho claro e estrabismo. A pele bem branca é uma de suas marcas, junto com as rugas. Já tem idade para netos, mas tem uma filha pequena. E agora aposta em um tipo de trabalho do mesmo gênero, mas bem diferente do anterior. A inocência ficou para trás, a pobreza, a simplicidade, o riso fácil. Agora é rodeado por jacarés e popozudas em uma casa, ainda pelas manhãs. E acho bobo. Pode ser porque cresci, mas parece que tudo mudou. Ou talvez foram as crianças que mudaram. A telona sempre existiu para ele, mas o trabalho que antes era divertido agora me faz perguntar quem assiste àquilo. Triste fim para a produção infantil. Para histórias de princesa, infelizmente, sou bem mais a Disney.
Marina Marais, estudante de jornalismo

Sacoleja, sacoleja, sacoleja... Pára no sinal, passa pelo buraco na rua, desvia de carros, de motos. E continua. Com o movimento que parece mais lento que o que rodeia, mas não menos agitado. Braços se cruzam segurando as barras de metal, pessoas apertam-se para passar a roleta. E trocam bons dias, desculpas, obrigadas, ou mesmo caras feias, esbarrões, pisadas nos pés. Mas sempre continua, com curtas pausas. O trânsito está ruim, alguns vão impacientes. Outros se esquecem de tudo ao redor concentrados no som que vem do celular, do radinho a pilha ou do mp3. E é dessa mistura que nasce o belo, o lírico do lugar.

Ao lado da empregada doméstica está o estudante de classe média alta. Em frente, um pedreiro e uma advogada. É um momento de encontro silencioso de pessoas de lugares diferentes, mas com um objetivo em comum: chegar ao seu destino o mais rápido possível. Enquanto isso não acontece, elas se observam. Vêem como o outro é, tentam adivinhar o que faz, sua vida. Oferecem para segurar as malas pesadas, alguns mais atrevidos até tentam bater papo, comentam do tempo, do trânsito, de sua pressa. Entra alguém novo, desce o estudante. E o balanço continua. Quase como uma música, com ritmos infinitos, tonalidades as mais disparatadas. Tal como a diversidade do que leva dentro e sacoleja, sacoleja, sacoleja.

Palavras: Ônibus e Poesia

Herói nas alturas

É difícil para o super-homem confessar, mas ele tem medo de altura

Marina Morais, estudante de jornalismo

Quem vê Clark Kent todos os dias combatendo os vilões de Metrópolis não imagina que o herói tem problemas com altura. Mas, embora este seja o principal meio de locomoção usado pelo homem de aço quando ele está em serviço, já faz sete anos que Clark faz análise com uma psicanalista freudiana na tentativa de resolver o problema. “É realmente complicado pra mim, quando vôo entre os prédios, sabe, sempre imagino que tem um pedaço de kriptonita escondido na esquina de algum deles e que vou desmaiar e cair no chão”. Por isso, o herói tem tentado livrar-se do trauma através de hipnose e análise das emergências de seu subconsciente com a terapeuta.

Mas a esposa, Lois Lane, não tem ajudado muito no processo. Ela diz que o marido é um covarde e neurótico, que não consegue conviver com a possibilidade de não ter super-poderes por alguns momentos. E usa esse argumento em todas as discussões de relação – também conhecidas como DRs – do casal. Em 2002, uma noite ela deixou um pedaço de kriptonita embaixo do travesseiro do marido para experimentar fazer amor com ele sem super poderes. Segundo Lois foi decepcionante: quando percebeu que estava sem sua super-potência, o herói deu para trás, virando na cama, e disse que teria que acordar cedo no dia seguinte.

Para a psicanalista de Clark, a doutora Sara Sullivan, o super-heroi tem sentimentos comuns a pessoas que tem muita cobrança. Para ela, pelo fato de Clark ser um heroi, é tido como infalível e sem fragilidades sentimentais para muitas pessoas, mas na verdade ele é um cara extremamente sensível. Por isso, a terapeuta tem tentado aflorar a sensibilidade do herói, diminuindo seus impulsos violentos. E a medida tem tido resultados: semana passada nosso herói preferiu ter uma conversa séria com o vilão Lex Luthor quando ele estava prestes a explodir uma bomba nuclear que iria tirar Smallville do mapa a simplesmente dominar e prender Lex. Claro que não funcionou. A cidade explodiu e dela só restaram cinzas. Único sobrevivente, Clark Kent diz-se triste com os acontecimentos, mas afirma que foi uma etapa importante em sua terapia.

Outra técnica usada por Sullivan é o uso de um banquinho. Kent passa em média 20 minutos de suas sessões semanais de terapia em cima de um banquinho olhando para o chão para aprender a lidar com a altura. Uma kripnonita de brinquedo é colocada na mesa da terapeuta durante as sessões, mas isso já é suficiente para que o herói tenha sérias crises de choro. É muito difícil para ele ficar tanto tempo sentindo-se desprotegido nas alturas. Segundo Sullivan, durante as sessões ele chama pela mãe, pelo pai, pelos parentes de Kripton, pela ex-namorada Lana Lang e pelo ursinho de pelúcia Fofucho, presente de uma tia quando tinha quatro anos e que dorme com ele até hoje.

O sofrimento do herói é terrível, mas a terapeuta vê uma luz no fim da galáxia. “Clark tem deixado aflorar seu lado sensível, tentado conversar com as pessoas, o que é significativo para o seu crescimento individual. Ele tem que começar a ver-se mais como indivíduo e menos como um mero instrumento da sociedade, uma máquina de combate ao crime sem sentimentos.” Mas os milhares de manifestantes espalhados por toda a América contra a inação de Clark em Smallville não dão ouvidos às tristezas profundas do herói. Uma pena.



Revista PIAUÍ

Monólogos de ladainhas

Marina Morais, estudante de jornalismo

Ela entra na sala reclamando da instrutora da auto-escola. “Não tem condições isso, a mulher muda o horário pra mais cedo sem nem avisar, eles sempre tem umas atitudes assim, que merda isso, cheguei e a sala tava cheia, nem tava pra ficar lá”. A fala continua enquanto ela se dirige ao seu quarto, eu já não consigo escutar. É um monólogo da reclamação, um desabafo mais para si do que para os outros. É inconformada quando as coisas não saem como o planejado. Chora, esbraveja, reclama, é exigente. Mas também é compreensiva, doce, tenta não julgar as pessoas. Só que, quando há conflitos (seja consigo mesma, seja com o resto do mundo), tem que falar, falar a quem quer que seja, a mesma ladainha.

Deus, o difícil e o vento

Marina Moraes, estudante de jornalismo

Um vento forte bate no meu rosto e move meu cabelo. Muitas pessoas passam caminhando, subindo as escadas, parece que saíram de algum outro lugar, tão súbito é seu surgimento. Ouço passos em todas as direções. A música que vibrava às minhas costas momentos atrás pára sem nenhum aviso. Em frente, duas meninas conversam. Ouço a palavra “Deus” e um minuto depois, “difícil”. Penso sobre o que poderiam estar conversando, qual a gravidade da situação. As folhas de papel em cima do meu caderno voam, apanho com as mãos. Menos pessoas passam, caminham com calma. Um rapaz chega e a conversa das moças muda de rumo. Elas parecem menos sérias, dão sorrisos, o garoto parece feliz em encontrá-las. O vento oscila. O sol é quente. Carros passam, param para os pedestres. Passa um ônibus. Alguém parece ouvir rádio. Ouço pedaços de conversas no celular.

Como era bom...

Flávia Moreira, estudante de jornalismo

Acordava. Era a hora mágica. Cama da mãe, bocejos, preguiça, pijama, e o despertador nem precisava trabalhar. Roupas coloridas já me ajudavam a ficar bem desperta, e eu cantava, cantava. Dançava, voava, voava. De repente, nem estava mais ali, nem era uma menina comum. De repente, pegava um morango como café da manhã, e a pista de pouso era o palco. Tinha os cabelos amarelos, usava pompom, e, na cabeça, um chapéu especial. Tudo isso gerava sorrisos que iluminavam fantásticos sonhos feitos de cristal.

Cristal azul, tranqüilidade. Cristal laranja, amizade. Cristal verde, esperança. E ainda tinha o violeta e o vermelho. Mistura de arco-íris, de encantamento, de imersão. Doce, singelo, era um beijo na palma da mão. A marca ficava, junto com os sonhos. Era magia. Pareciam não ter fim as brincadeiras, lá eu estava junto às demais.

E ela brilhava, era o Sol, era a Lua. Era tudo. A gente era estrela, que brilhava pouco, porque era bem menor que ela. Mas ia crescer. E cantava que era bom, bom, bom, bom. Porque era.