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terça-feira, 30 de março de 2010

O homem, o mito

Fernanda Radicchi, estudante de jornalismo

Uma inigualável experiência de vida. Isto é o que o Super-Homem acumulou em tantos anos de luta a favor dos fracos e oprimidos. Não é por acaso que o héroi tem muita história para contar. Já morreu, ressuscitou, ganhou um clone, virou monstro, perdeu os poderes, desenvolveu novas habilidades, enfim, sofreu as mais diversas transformações físicas, sociais, psicológicas e profissionais que se possa imaginar. Porém, nem tudo mudou. Aos 71 anos, ainda conserva o corpo musculoso, os cabelos naturalmente negros e a força assustadora. Por isso, além de ser mais rápido que uma bala, mais poderoso que uma locomotiva e transpor altos prédios de um pulo só, ele parece deter a “fórmula da juventude”. No entanto, o nosso herói afirma que, se existe fórmula, ela não é nem secreta, nem inalcançável: consiste na tradicional combinação entre exercícios físicos e alimentação balanceada.



Revista VIDA SIMPLES

Os momentos em que ele desaparece

Leonardo Amaral, estudante de jornalismo

Em seu dia-a-dia, ele é o “mentor” dos seis jovens que tentam escapar da Caverna do Dragão. Herói ou não, é preciso antes compreender a trajetória do mago que insiste em sumir e aparecer em momentos inesperados.

Mestre dos Magos aprendeu os primeiros truques de magia ainda na infância, antes de ingressar numa escola de magos nos meados da Idade Média. Foi lá que conheceu a outra dimensão existente na Caverna do Dragão, onde também elaborou todo o plano que levou seis adolescentes de uma montanha russa até o local.

Estudioso de estratégias e jogos de mistério e enganação desenvolveu, durante séculos, a plataforma que daria condições para a execução de seu plano que levasse pessoas para o seu “jogo”. Foi assim que constitui a fortuna atual, ao vender, para a rede de televisão CBS, os direitos do programa que ele denominou Dugeons and Dragons, do qual também é um dos protagonistas.

Faleceu em 1999 de morte natural. Há os que dizem que ele apenas sumiu e que ainda aparece em determinados dias.



Revista AVENTURAS NA HISTÓRIA

Generoso, forte, veloz, ágil... e LINDO!

Maitê Gugel, estudante de jornalismo

Peter Benjamin Parker, o Homem-Aranha, é o sonho de consumo de qualquer garota. Nova Yorkino de Forest Hills, o gato ficou órfão ainda garoto e foi criado pelos tios Benjamin e May Parker.

O ar tímido e desajeitado deixa qualquer garota enlouquecida. Mas não foi sempre assim. No colégio Peter não fazia muito sucesso com as meninas. Tudo mudou na vida do rapaz quando ele foi picado por uma aranha geneticamente modificada. Seu corpo passou por mutações e, além de ficar mais gato, ele também adquiriu superpoderes! Não é o máximo?

Mas o espírito justiceiro do Homem-Aranha é aflorado quando seu tio é morto por ladrões. O pobre rapaz se sente culpado, pois poderia ter impedido a fuga dos criminosos. Depois de aprender a lição de que com grandes poderes também vem grandes responsabilidades, Peter se envolve em uma série de apuros para proteger a população e conquistar o amor da garota mais popular da escola, Mary Jane. Sortuda, não?



Revista CAPRICHO

Dando as cartas

Pedro Nogueira, estudante de jornalismo

“Parei de fumar porque o cheiro incomoda as damas” Ele disse quando ofereci um cigarro. A primeira característica impossível de deixar escapar em Remy LeBeau é o sotaque forte, um charme francês que nenhum outro mutante tem. Apesar de alto e forte, Gambit não é exatamente o protótipo do galã de desenho: cabelo ruivo desgrenhado, olhos vermelhos, mas o look de bandido derrete qualquer gelo rapidinho. Os treinamentos de luta com os X-Men garantem o corpo bem torneado, mas ele não faz o tipo metrossexual: nada de cremes nem cuida do cabelo.Muito ágil com as mãos, ele não parou de brincar com aquele baralho brilhante durante toda a entrevista. “Só jogo pra ganhar, e as apostas muito altas me deixam ainda mais animado. É assim também com as mulheres.” Cafajeste? Ele confessa que às vezes quer ficar com todas. “Pode parecer muito, mas garanto que nenhuma delas nunca se arrependeu.” Diz, muito autoconfiante. Mas quando pergunto sobre seu maior sonho, ele dá a entender que ainda vai encontrar uma para ficar a vida inteira. “Já beijei meu maior sonho algumas vezes, mas ela ainda tem que se decidir se é só comigo que ela quer jogar.” Quem não quer um desses?



Revista COSMOPOLITAN NOVA

Mulher-Maravilha aproveita merecidas férias na Ilha de Caras

Maisa Gontijo, estudante de jornalismo

Quem a vê relaxando pelos spa’s da Ilha, vestindo apenas um roupão branco, nem imagina a mulher que se esconde por trás daqueles longos cabelos negros, seios fartos - “são naturais!”– e 1,80 metros de altura. Princesa de Temiscira, a Mulher-Maravilha é filha de Hipólita, rainha das Amazonas, que a criou a partir de uma imagem de barro. Talvez venha daí a pele impecável que a morena exibe, mesmo após anos de lutas contra Ares, o deus da guerra. A receita desse barro milagroso a heroína esconde a sete chaves, assim como a idade. Sua primeira aparição em público foi em 1941, já na capa da revista de quadrinhos DC Comics. A partir daí passou a integrar a Liga da Justiça, juntamente com o Super-Homem e Batmam, gerando rumores de que Maravilha teria se relacionado com eles (em diferentes momentos, claro!). A heroína não confirma nem desmente, apenas diz que no século XXI os homens ainda não estão preparados para viverem com mulheres fortes, capazes de rivalizarem com eles, com grande agilidade e resistência física. “É mais fácil se relacionar com simples mortais ou com mulheres que miam para eles durante a noite”, lamenta a bela, que sofre com a incompreensão dos homens. Embora ela seja telepata, é impossível ler a sua mente devido à tiara que sempre a acompanha.



Revista CARAS

X

Bruno Assis, estudante de jornalismo

Misturando açúcar, tempero e tudo que há de bom, o professor Utonium esperava criar as garotinhas perfeitas. Teria dado certo se ele não tivesse derramado na mistura, acidentalmente, o misterioso elemento X. Dela nasceram Lindinha, Florzinha e Docinho, três garotas com super poderes.

Esse episódio aconteceu há 12 anos, mas desde então pouca coisa se sabe a respeito do elemento X. As pesquisas na área são prejudicadas porque até hoje apenas 5 seres foram afetados por ele. Além das Meninas Superpoderosas, estão nessa lista um esquilo e o arquiinimigo das garotas, o Macaco Louco.

Pesquisadores da Universidade de Townsville vêm tentando coletar amostras do sangue de algum dos afetados há anos, mas nenhum deles se mostra disposto a ajudar. Segundo os estudiosos, o Elemento X pode ter causado alguma modificação específica no DNA, mas isso ainda precisa de comprovação. Em entrevista à Super, o Professor Utonium não quis dar maiores informações sobre o elemento, dizendo apenas que “o fabricava em casa mesmo”.



Revista SUPERINTERESSANTE

À moda BEM antiga

Tamira Marinho Lima, estudante de jornalismo

Baixinho, troglodita, coberto de pêlos. Esse poderia ser um parente se o personagem dessa descrição não estivesse sempre com um porrete e acompanhado por três gatas: Brenda, Tiffan e Jamie. Em busca do segredo de Capitão Caverna - que há anos combate o crime com as panterinhas - a Playboy fez um rápido bate bola com o Herói. Caverna fala sobre suas origens, seu trabalho e suas mulheres.

Como você conquistou uma loura, uma ruiva e uma morena?
Brenda, Tiffan e Jamie fizeram dezoito anos e resolveram combater o crime , mas precisavam de alguém pra fazer o trabalho braçal. Porque o crime é animal, você sabe... Como meu porrete não pede licença me juntei à elas e estamos aí todo mundo junto e feliz.



O que é mais difícil, agüentar três TPMs ou combater o crime?
O difícil é guardar tanta coisas debaixo dos pêlos e comprar gasolina pro meu porrete ( senão ele não voa). O resto a gente acostuma.

Da onde veio a força do seu grito?
Sei lá. Eu nasci assim, com um grito f*, e com uma cabeleira que pode esconder um infinito neanderthal. Pra que eu vou querer saber? Funciona, é meu charme.

E de caverna você veio?
Meu filho, você é bobo? Na época das cavernas não tinha endereço nem CEP. Caverna é caverna ué.

O que você acha de mulheres que gostam de homens românticos e sensíveis?
Eu tenho 3, Não vou discutir, estou com fome. Tem comida aí?

Você não tem medo de ser substituído no quarteto, a diferença de idades é muito grande...
Nossa relação é ideal. Elas me dão o que eu quero eu dou o que elas querem. Eu venço o mal, tenho um porrete bacana que voa e elas nunca precisam usar bolsa quando andam comigo, vai tudo debaixo da cabeleira. Enfim, eu me garanto.

Qual é o segredo do seu sucesso Caverna?
Um ovo de dinossauro no café da manhã e manter a pegada forte.



Revista PLAYBOY

Invisibilidade zero

Flávia Moraes Moreira, estudante de jornalismo


Capacidade de sumir e de fazer desaparecer. Esta é uma habilidade que muitos homens gostariam de ter, principalmente quando a namorada resolve iniciar uma longa DR em pleno sábado à noite, ou quando o chefe chega no escritório para exigir um serviço que ele queria para ontem.

Infelizmente, essa opção só está nos gibis e, mais especificamente, na Mulher Invisível do Quarteto Fantástico. Susan adquiriu este poder ao entrar em uma nave espacial com Richards, Storm e Grimm, após o voo em que eles estavam ter sido interceptado por raios cósmicos que dotaram os tripulantes de estranhos poderes.



Não estamos falando tudo isso à toa, e nem interessa saber que super poderes os homens dessa história em quadrinhos que virou filme possuem. O que realmente importa são os atributos da bela Mulher Invisível interpretada por Jessica Alba. Poderosa, ela enche o imaginário masculino com a personalidade independente da personagem, se é que algum homem está preocupado com isso ao ver este ensaio sensual da loiraça.

Revista VIP

Super ogro

Taís Ferreira Ahouagi, estudante de jornalismo


Grande, musculoso e incansável. Ele é a síntese do que muito fortão por aí é ou gostaria de ser. Só tem um detalhe: o grandão que reúne essas qualidades também é verde e repugnante. Herói às avessas dos quadrinhos, o incrível Hulk é o estereótipo dos atletas que extrapolam na malhação e, principalmente, nos suplementos. Assim como o personagem, cuja aparência de monstro é culpa dele mesmo – foi vítima da radiação de uma bomba que fabricou –, quem faz das pílulas e injeções de anabolizantes uma extensão da academia também carrega a responsabilidade das transformações no próprio corpo. Além da agressividade que aflora como no gigante esmeralda, enquanto os músculos crescem, a bomba faz minguar outras funções preciosas. Testículos atrofiados são só o começo. Os brutamontes detonam o fígado, perdem cabelo, enchem o rosto de acne, elevam o colesterol às alturas e emburrecem (é um tiro na memória!). Quem toma anabolizante ainda pode ver os peitos crescerem como os de uma mulher. Não há força verde ou super poderes que resolvam.

MEN'S HEALTH

Johnny Storm s2 *_*

Leandro Lima, estudante de jornalismo

É um fofo mesmo esse Johnny Storm, sempre foi um dos nossos gatinhos playboys predileto – polêmico, esportista, astronauta e irmão da estilosíssima Susan Storm, que aliás adotou um visual maravilhoso depois que ganhou esses poderes super úteis de invisibilidade.

Mas ah, o Johnny, nosso gatinho viajou semana passada pro espaço e voltou de lá muito mais quente do que já foi. Num acidente qualquer lá envolvendo uns raios cósmicos esquisitissimos, o Storm ganhou poderes e agora além de herói dos nossos corações, ele é nosso super-herói de todas as horas, como sugestivo e tentador nome de Tocha Humana... eu não ligaria de sentir esse calor não , viu Johnny?

E nosso ídolo maior não perdeu a chance de ganhar de vez nossos corações e os das desavisadas que ainda não o conheciam. Assim que chegou ao espaço, garantiu ,em declaração à nossa sortuda repórter “podem esperar que no céu de Manhattan ainda escreverei muito meu nome. E vocês saberão que eu estou por perto...se não souberem , podem me ligar,quem sabe podemos marcar um jantar no Edificio Baxter?”.

Quem não gostou nada disso foi o Redd Richards, nosso charmoso cientista que não queria transformar seus amigos numa equipe de heróis. E o Coisa quer bater no nosso Johnny! Meninas, não deixem que o Quarteto Fantástico acabe como nosso muso!



CAPRICHO

O exército de um homem só

Jessica Soares, estudante de jornalismo

Um dia foi fraco e esquelético. Apesar da saúde debilitada Steve Rogers não mediu esforços para defender seu país em tempos de Guerra. “Faria qualquer coisa”, ele deixou claro na época. E foi o que fez: tornou-se parte de um perigoso projeto para criação de super soldados. Transformou-se em um superatleta.

Ele deveria ser só mais um em um vasto exército. Não esperava que um agente duplo infiltrado assassinasse o cientista responsável. Rogers tornou-se único, símbolo de uma nação, e recebeu o título ufanista de Capitão América.

Celebridade instantânea, seu combate aos nazistas na Guerra o fez herói em uma sociedade que vê o combate como oportunidade de se provar superior. Mas o estrelato não durou e ele caiu na obscuridade após o fim do conflito.

Hoje ele está na luta, mas por sua saúde. O projeto Supersoldado lhe debilitou. Com resquícios de vaidade, não fala a idade, mas os cabelos brancos revelam que é avançada. Steve, como pede para ser chamado, lamenta ver seu país em tempo de crise. Ele depende do sistema que ajudou a fortalecer – só que não encontra amparo.



CARTA CAPITAL

ATIVIDADE 3 - Super-heróis

"Pela união dos seus poderes, eu sou o Capitão Planeta" - Capitão Planeta
"Capitão Caveeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeerna" - Capitão Caverna
"Super gêmeos, ativar" - Super Gêmeos
"Espada justiceira, dê-me visão além do alcance" - Thundercats
"Para o infinito, e além" - Buzz Lightyear
"Sigam-me os bons" - Chapolin Colorado
"Para o alto e avante" - Super Homem
"É hora de morfar" - Power Rangers
"Eu tenho a força!" - He Man

Super-heóris sempre estiveram pelo mundo. Com suas frases características, eles sempre estão prontos para salvar todo mundo, cada um do seu jeito, é lógico. Agora imagina se o seu personagem favorito pudesse aparecer em uma revista?

Os alunos do Laboratório Outro Sentido fizeram isso. 1000 caracteres, e revistas específicas para cada um. Então vamos lá...

segunda-feira, 29 de março de 2010

O que é um pontinho laranja na multidão?

Fernanda Radicchi, estudante de jornalismo

Ela é viciada em internet. Tem Fotolog, Orkut, Myspace, Facebook, Twitter, MSN, Last.fm. Dezesseis anos e já deu muita dor de cabeça em casa: matou aula, pegou várias recuperações, recebeu suspensão e a mãe foi chamada ao colégio porque ela estava comendo restos do lixo (entenda por “lixo” um pacote de biscoito ou de chips pela metade abandonado na mesa). Mas tudo isso não passa de hiperatividade, falta de sorte e intolerância dos outros com quem pensa e age diferente. Seu um metro e 75, moicano colorido, piercing e alargador dificilmente passam despercebidos. Encontrá-la no meio da multidão é uma tarefa fácil. Procure por um pontinho laranja e lá estará Aline.

Desconhecidos no ônibus

Leonardo Amaral, estudante de jornalismo

Ela jamais entendeu porque não converso com desconhecidos dentro do ônibus. Toda mãe costuma dizer aos filhos para jamais falarem com estranhos. A minha não, ela acha importante o contrário, leva um pouco ao pé da letra aquele ditado que diz que quem tem boca vai a Roma. Não que ela acredite em ditados populares, na verdade nem acredita e jamais foi a Roma. Possivelmente crê poder ir, ou, ao menos, dentro do ônibus, ela pensa que, mais do que ser levada até a parada do veículo, pode descobrir coisas que sequer achava possível. No fundo, um dia irá mesmo até Roma, talvez por essa admirável capacidade de olhar para o futuro e perceber no desconhecido do ônibus alguém legal desse futuro próximo.

Marquim: o carismático

Maitê Gugel, estudante de jornalismo

Pichorra, Cabelinho, Zé Roela ou simplesmente Marquim. Para a namorada, é Amor. Marcus apenas quando o clima não está nada bom entre o casal. Mas bem que o apelido dele podia ser Autoconfiança. Essa qualidade sobra nesse garoto, que consegue influenciar e persuadir diferentes tipos de pessoas com uma facilidade incrível.

Estuda Comunicação, tem uma banda de Rock, atua em duas peças e trabalha como projetista. Mas se pudesse, explodiria o escritório de engenharia e nunca mais faria um cálculo sequer. Se tem uma coisa que ele definitivamente não gosta é a tal da matemática.

A verdade é que esse mineirinho de Brasília é a própria comunicação em ação. Sua especialidade é trazer as idéias à vida e transformar tudo ao seu redor. Sempre pra melhor.

Em vermelho

Thais Marinho, estudante de jornalismo

A reunião começou - uma hora de atraso, como de costume. Para dar início, Estevão sintetiza a pauta. A sobrancelha levanta. A fala sai tranqüila e bem argumentada. Muito natural. É fácil ser convencido. Só 23 anos, mas muita autoridade. Quem vê pensa que a política é tradição na família. Mas não. Foi o primeiro a se filiar a um partido. Em 2005, por causa do mensalão. Não era hora de desanimar com a política. Em 2006, foi para Lisboa militar pelo PT. Voltou em 2008. Objetivo: formar na UFMG um núcleo do partido. O jeito seguro, a fala articulada e sempre convincente, tudo nele é político. Mas quer ser professor e militar pela educação. Sindicato, talvez. É pouco – você vai pensar, enquanto ele fala

Alzira no céu, Jesus na terra

Maisa Gontijo, estudante de jornalismo


Baixinha, delicada e energética. Não há quem não se encante com a simpatia de dona Alzira, uma jovem senhora que, no auge dos seus 85 anos, esbanja saúde e disposição. A caminhada matinal é sagrada, faça chuva ou faça sol. Às cinco da manhã ela já se arruma para uma maratona de voltas em torno de uma das sete lagoas da cidade em que vive. Cozinheira de mão cheia, começa cedo os preparativos para o almoço, que mesmo simples é de dar água na boca. Constantemente recebe ligações da França solicitando a ajuda no preparo de um bolo gelado, considerado unanimemente pela família a sua melhor sobremesa. Não é à toa que seu livro de receitas é a herança mais cobiçada entre as netas. Religiosa, vai todo dia à missa, mas é mesmo em casa que se encontra com Jesus, seu marido há quase 60 anos.

E eu idem

Bruno Assis, estudante de jornalismo

O nome já nem importa muito. Ele é um dos casos em que o apelido acaba se tornando mais importante: Idem. Amigo já de longa data, ele é um nerd que passa as horas de lazer dividido entre um livro de física e um de análise. Nem preciso falar que essa obsessão me irrita muito. Aliás, ele é insuportável. Sua inconveniência e insegurança são especialmente chatos. Mesmo assim ele é meu companheiro de aulas matadas à toa, de conversas avulsas, de viagens furadas, de trabalhos picaretados. Um amigo, um irmão.

Casa de espelhos

Tamira Marinho de Lima, estudante de jornalismo

Em 10 de Abril de 1960 ele nasceu. Anos mais tarde, por causa disso eu também. Pode parecer injusto que uma existência determine outra, mas Freud não só achou natural como ganhou fama ao explorar as nuances do fato. Em boa medida Darwin também. Assim, ele tem, eu tenho: cabelos anelados, olhos pequenos e estatura mediana. Porque é um ex-hippie convertido ao capitalismo que apesar do nome alternativo e da fala descolada eu penso em ganhar dinheiro. Porque ele não é de falar muito ou alto, acabei escolhendo sempre muito bem minhas palavras e chorando com propaganda de margarina. Filhos? Filhos a gente cria para o mundo e os dele deveriam ser independentes, lutar pelo que querem. Só errou em disseminar seus ideais tão bem: a gente se ama, mas eu sou preto e ele é branco.

Acelera / Desacelera

Flávia Moraes Moreira, estudante de jornalismo

Em um morro, basta pisar no acelerador. Fabiana fez isso, mas não esperava que o sinal fechasse bem no meio do caminho. Freio, embreagem e um gemido de preocupação com o que viria depois. Olhos fixos na luz verde que acenderia a qualquer momento, ela passa as mãos nos cabelos lisos e loiros, e os deixa escondidos atrás da orelha. Tudo isso para não perder a concentração. O clima é tenso, e eu peço calma à minha irmã. O carro morre duas ou três vezes antes de continuar a subida. Ninguém buzina, mas ela fica nervosa e se desespera. Em certo momento, achei que ela ia sair do carro e desistir. Fabiana xinga e se exalta à toa. Cinco minutos depois, chora, porque, na verdade, é uma manteiga derretida.

Eu cinza, ela rosa

Júlia C. Vargar Guimarães, estudante de jornalismo

Se fosse patológico, ela teria transtorno bipolar. Uma hora é a pessoa mais feliz do mundo, ri dos próprios problemas, e faz graça para todo mundo. De repente, se transforma em alguém extremamente irritável, que reclama que está sem dinheiro, que engordou, que sofre demais e que tem diabetes, mesmo sem ter. Se pudesse escolher uma fase da vida estaria na adolescência. Pelas mudanças bruscas de humor, pelo jeito que se veste e se comporta. Tudo porque por um incidente, pulou essa parte da vida. Todo mundo acha que eu poderia ser mãe dela, porque eu uso cinza e ela rosa. Mesmo usando rosa é uma das pessoas mais fortes que já conheci. E é a bipolaridade que faz dela tão especial.

Quem ensinou a falar

Taís Ferreira Ahouagi, estudante de jornalismo

Vai para a escola hoje? (faculdade) Depois o estágio? (como todos os dias) Volta para o almoço? (sabe que não... De repente, a resposta extrapola o pensamento e sai audível. Ela não gosta do tom e reclama. Eu justifico: mas ainda nem acordei; a conversa é muita para a hora. Para ela, não há hora sem conversa. A paz dela é agitada. Mal se levantou e já tem em mente e na ponta da língua os casos que merecem ser contados. Fala até os ouvidos pedirem para parar. Quando para, é o silêncio que incomoda. Concentrada apesar de inquieta, é tímida por dentro, ela jura. Mãe que é, dá bronca segurando o riso, se ofende segurando o choro, chora de tanto rir e perde as palavras quando a alegria extrapola o riso.

Um quadro

Jessica Soares, estudante de jornalismo

Poderia se passar facilmente por um personagem de animação. Cabelos brancos, óculos quadrados, levemente gordinho, baixo. Fala com calma. Os alunos acompanham o que diz com atenção, mas alguns se distraem no meio do caminho. A viagem só é interrompida por um som alto, destoante da aparência serena: sua risada extravagante, que chega sem dar aviso e se vai rapidamente. Quem o vê falando com segurança sobre cinema não imagina que possa se exaltar, mas logo descobre seu ponto fraco – a Segunda Guerra Mundial. Suspeita-se que seja judeu, mas não importa. A atitude de Luiz Nazario quanto ao assunto é clara: esse é um campo minado, e ao se aventurar por esses caminhos é preciso cuidado – ele pode se ofender.

Mulheres (2) mil

Leandro Lima, estudante de jornalismo

Azeite vencido

Os olhos angelicais e lindos cabelos longos fazem parte dum conjunto físico ingênuo,quase infantil apesar da idade. Não se engane, essa oliveira que é tão bela é incapaz de produzir um bom azeite, que dê aquele sabor bom de almoço na casa da avó. Parece mais uma comida feita as pressas, só pra não morrer de fome, cadê o gosto em gostar de um azeite assim? Doce voz, carinhosa ao toque, folhas verdes e produção farta. Só não deixe cair no seu prato predileto: vai azedar.

De F até A

Foi por acaso que a dita cuja se aproximou tanto que virou amiga, das melhores. Lembro que no primeiro dia que a vi, já descobri: um sorriso sempre aparecia espontaneamente pra receber a gente. Alegria! Veio a palavra comigo quando descobri que já tinha achado alguém pra me ajudar, confortar, rir comigo nas horas difíceis dessa vida acadêmica. Irresistivelmente carinhosa, invariavelmente bela, encantadoramente doce. Amizade dos cabelos castanhos e da pele alva,do olhar sincero e da risada boa, essa é pra sempre.

ATIVIDADE 2 - Perfil

Nome:
Sobrenome:
sexo: ( ) feminino ( ) masculino
relacionamento:
data de nascimento:
ano de nascimento:
cidade:
estado:
CEP:
país:
idiomas que falo:
escola (ensino médio):
faculdade:
empresa/organização:
Interessado(a) em:
Quem sou eu:

Não, isso não é o Orkut. É só para mostrar o quanto estamos acostumados em preencher perfis, principalmente sobre nós mesmos. Na era das redes sociais, essas perguntas são cada vez mais automáticas e todos nós já sabemos de cor "Quem sou eu".

Agora pense em alguém. Com certeza você já deve ter passado por alguma experiência de descrevê-la para alguém. Então vamos ao desafio: descrever alguém que você conhece dando um Outro Sentido para a coisa. As regras: 700 caracteres, título com 20 caracteres e o texto deve deixar bem claro a sua opinião com relação à pessoa. Vamos ver o que saiu?

domingo, 28 de março de 2010

5 sentidos e só mil caracteres

Fernanda Radicchi, estudante de jornalismo

Apesar da inexistência de qualquer brisa, a sensação que tenho não é de calor, nem de frio. O cheiro é agradável, uma mistura de terra e concreto molhados. Ouço o barulho consecutivo de rodas em movimento. Ao longe, um passarinho solitário canta, entrecortado pelo som de um bip, contínuo e incômodo. Passos por todos os lados, alguns distantes, outros muito próximos.

“Lanchonete e Restaurante” são as primeiras letras que vejo. Logo adiante, há um longo canteiro com flores amarelas. Atrás dele, estão mesas e cadeiras de plástico azuis. Em outro ângulo, ao longe, encontram-se indícios de uma obra em andamento. Pessoas passam, três delas correm. Vêm de todas as direções, carregando mochilas, bolsas, capacetes, usando uniformes. Mais letras: “104,5FM UMFG Educativa”. Muitos carros e um caminhão cruzam a rua a minha frente. Há árvores e mato por toda a parte. Percebo uma moto estacionada em um lugar um tanto inusitado. Por fim, ainda mais letras: Nossacoop, Banco do Brasil, Banco Real e Caixa.

Possibilidades de algum encontro

Leonardo Amaral, estudante de jornalismo

O que pode significar sentar-se no meio fio na vã expectativa de que algo possa acontecer em um dia cinzento de chuva insistente?

Talvez os taxistas, escondidos em seus veículos, pensem ser aquele um dia de grande trabalho, afinal as pessoas, como a moça de trajes brancos, não querem sujeira de terra para o encontro que tem mais tarde com o novo namorado. Ou então o velho professor, que se equilibra com livros, pasta e guarda-chuva e prefere como opção adentrar um dos automóveis para, quem sabe, chegar a casa antes do jornal.

Mas há outras possibilidades: ao invés de pegar um passageiro, um desses nobres homens do movimento prefere a imóvel possibilidade de observar, bem a sua frente, aquele que, com guarda-chuvas empunhado, permanece, sentado, no meio do nada, para apenas olhar, na esperança de ver algo que seja. No jogo de impossibilidades, soam os cinco minutos de um cronômetro, os primeiros postes de luzes se iluminam e a essa hora a moça de trajes brancos já ruma para seu encontro.

A Praça e seus encantamentos

Maitê Gugel, estudante de jornalismo

Vida e tranquilidade. Essas palavras traduzem a UFMG que eu vejo daqui. Depois de tantos encontros, como posso tê-la visto dessa forma apenas agora?

Quando o sol adormece, o barulho mais alto que se escuta é o canto das cigarras. Vez ou outra, risadas e conversas animadas de amigos que passam na maior parte das vezes aos pares, também dão vida ao ambiente.

É estranho ver mais carros que pessoas, todos iluminados por aquele tom amarelado brilhante das lâmpadas. Mas nem por isso o Campus fica menos bonito ou vivo. A negritude do céu e a luz artificial conferem uma beleza diferente, única naquela pequena unidade espaço-temporal.

É engraçado pensar como todos os dias centenas de vidas se cruzam naquele local e experiências das mais variadas ocorrem. Corredor de passagem para alguns, motivo de encantamento para outros. A Praça de Serviços também é palco da vivência cotidiana.

Agora, o coração da Universidade bate calmo, prepara-se para o seu merecido descanso. Mas continua vivíssimo. Nunca o vi tão colorido.

Formigueiros nunca dormem

Pedro Nogueira, estudante de jornalismo

A comprida Reitor Mendes Pimentel pode ser facilmente comparada a qualquer coisa com uma atividade impressionante o dia todo: vulcão, rio, panela de pressão. Mas ignorar as centenas de pessoas que fazem a Universidade pulsar é rejeitar sua própria essência. Então, nada mais divertido do que ver as pessoas apressadas como formigas pequenas, preocupadas, levando pacotes pesados nas costas, cargas penduradas nos braços-patas ou simplesmente seguindo em fila para algum destino desconhecido. Agora a atividade já não é tão intensa como fora há horas atrás, mas, ainda assim, espanta. Nas galerias iluminadas ao longe – FACE, FAFICH, Letras, Reitoria – incontáveis formigas se reúnem para trabalhar ainda mais em suas cargas. Aqui, do lado de fora das galerias verticalizadas, grandes carapaças de metal e olhos refletores esperam, enfileiradas, o momento em que vão levar suas formigas para as moradas mais distantes. Desde o início do texto, uma cigarra canta sem parar e sem perder o fôlego. Como na fábula, ela me lembra que sou formiga e é hora de voltar ao trabalho.

“É pau, é pedra, é o fim do caminho”

Maisa Gontijo, estudante de jornalismo

De pé, em frente à principal avenida que dá acesso à universidade, a sensação é a de que todas as coisas vão ou vem a mim. Estou parada, em frente a essa avenida de mão dupla, pista dupla, e canteiro central único. Canteiro este que funciona como um divisor de águas na minha paisagem. À esquerda, um grande gramado se estende até um prédio que se assemelha mais a um bloco, de forma retangular, revestido de concreto nas laterais e vidro na frente. É o prédio da reitoria, que tenta disfarçar sua “quadradez” com uma escultura bem moderna à frente. Bem na sua frente, do outro lado da rua, um gramado, não tão extenso e pouco uniforme, dá acesso a um prédio de formas também quadradas, mas bem mais chamativo que o primeiro. Talvez por ser vermelho, talvez por sua maior extensão. A FACE vai até um prédio mais ao fundo, tímido, quase se escondendo entre a imponência do novo vizinho e o verde das árvores que a cerca. Em frente à FAFICH, tudo verde, até meus olhos não alcançarem mais. À minha frente, árvores verdes, ruas de calçamento geralmente cinzas, por ora marrom. “É o carro enguiçado, é a lama, é a lama”.

Um tempo que cheira assim

Leandro Lima, estudante de jornalismo

Lá bem longe debaixo do sol escaldante o bravo guerreiro estica os músculos e o mal cheiro já começa a subir espero que não seja dele porque duas lindas garotas e um belo rapaz vem em minha direção que não pensem que seja eu enquanto centenas de pessoas perambulam pelo meu lado e um trovão ecoa ela atende o telefone é a amiga que sabe agora da manota justo quando Papai ligou e chega o companheiro do nosso guerreiro solitário que talvez começasse a cheirar tão mal quanto o fétido esgoto que entrava pelas minhas narinas enquanto perdia-se a ligação do telefone e esperava-se que o pai perdido desse a volta correta para buscar a jovem moça de cabelo preto e corpo mignon que já se despedia avidamente do rapaz de olhos claros que fora buscar seu carro enquanto a charmosa moreninha esgueirava-se para trás de mim donde a perdi de vista quando um rapaz passava assoviando chamando alguém que nunca respondeu e o jovem guerreiro de blusa azul dava seu primeiro golpe quando a buzina tocou.

Por onde passa a pausa

Taís Ferreira Ahouagi, estudante de jornalismo

O sol bate forte sobre o chão de cimento. Nas poucas sombras que se formam, sob um arbusto de copa rala, pessoas, que poderiam ser uma só, se abrigam. Elas não se olham nem conversam. É um silêncio solitário. Encostado a um canto, um homem de regata deixa à mostra uma tatuagem tribal já desbotada. Sentada em um banco, uma senhora oriental lê seu livro sem parecer se incomodar com a radiação que bate sobre as manchas esbranquiçadas de vitiligo. Um pouco à frente, uma moça alta, clara, flácida, com cara de poucos amigos acende um cigarro, que eu também fumo por observar. Logo atrás, duas mulheres são as únicas que falam, mas tão baixo e em gestos contidos que mal se ouve o que dizem. Ao redor delas, outras pessoas passam para ir à lanchonete, ao banco, encontrar um amigo, talvez. É um movimento parado, daquele que não faz barulho. Na ágora, mais gente sentada, exercendo a atividade de não fazer nada. A tenda que lhes cobre é de um vermelho abafado que parece congelar os movimentos pelo calor. Nos minutos que antecedem o almoço, a UFMG que eu vejo é tão lenta e abafada quanto o vento que passa fingindo refrescar.

300 segundos

Jessica Soares, estudante de jornalismo

Uma manhã nublada como outra qualquer. Alguns estão só de passagem e, com um andar determinado, cruzam a praça rumo a mais um dia comum. Ao som dos carros que passam apressados, outros sentam e esperam talvez pela coragem de enfrentar o começo de uma nova semana. Um casal sorri, alheio ao que se passa ao seu redor.

A livraria está fechada, ninguém entra nos Bancos, poucos se demoram naquele lugar. Aparecem e um passo, dois passos, muitos passos depois, já não estão mais lá. Tão cedo, a Universidade não parece tão jovem e cheia de vida. Cansados, apressados, absortos em pensamentos, cada um vive quase em mundos isolados.

Nessa mesma órbita, apenas um grupo é diferente dos demais. Seis amigos sentados em frente ao único lugar que já acordou do sono da noite anterior. Conversam e tomam café. Não fazem barulho, não falam muito alto, fazem parte desse dia sonolento.

Uma garota boceja longamente, um homem se senta debaixo de uma árvore e se junta ao clima de espera. O casal se despede animado.

Era uma vez na UFMG

Bruno Assis, estudante de jornalismo

Parecia filme de faroeste. Os prédios em volta da Praça de Serviços eram como salons: todos acesos, mas sem movimento aparente. Não tinha nada nas ruas. Só faltava uma bola de palha rolando para compor o cenário de solidão. Também pudera, ninguém em sã consciência espera encontrar movimento na UFMG às 10 da noite.

Como não tinha nada para ver, fechei os olhos e fiquei lá escutando uma cigarra irritante que cantava em algum do ICB. Completo silêncio novamente. A universidade parece não funcionar à noite. Às vezes passava um carro atrás de mim, mas parava por aí.

Então um grupinho animado de meninas apareceu. Eu as ouvia falando sobre carteira de motorista, sobre aulas e reprovação em exames de direção, em quantas vezes cada um teve que repetir a prova. Elas falavam, falavam e falavam. E eu nem precisei me esforçar muito para ouvir, já que resolveram sentar ao meu lado na escada. Um, dois, três, sei lá quantos minutos se passaram. Foi um alívio ouvir meu celular e ver que eu já podia sair dali.

A UFMG que reluz, não é ouro

Júlia C. Vargar Guimarães, estudante de jornalismo

A UFMG que vejo daqui se esconde da chuva como pode. Quem não tem sombrinha improvisa com livros, casacos, ou papéis. Alguns trabalhadores com capas de chuva tentam limpar a lama da pista, que atrapalha os carros desde o dia anterior. Outros trabalhadores limpam vidraças, transportam dinheiro em segurança, varrem o chão, ou só conversam. A UFMG que eu vejo daqui parece ter poucos estudantes, e muitas pessoas ocupadas com qualquer coisa. Em ir ao banco, em almoçar, em tirar Xerox, comprar remédio na farmácia, ou resolver algum problema. Verdade é que a maioria das pessoas parece estar com pressa, não sei se por causa da chuva ou se porque a Praça de Serviços é um lugar tipicamente apressado. Claro que uma minoria conversa tranqüila, como se pudesse ficar ali o dia inteiro, mas esses são tão poucos, provavelmente os estudantes. Não porque estão visivelmente desocupados, mas pelo jeito de vestir e idade que aparentam ter. A UFMG que vejo daqui se parece com mil lugares, menos com uma universidade.

Cabelo ao vento

Tamira Marinho Lima, estudante de jornalismo

Fazia muito calor. Calor desses que no sol sente-se o couro queimando e começa-se a suar revoltantemente. Todavia não era uma calor generalizado e sentia-se que na sombra devia ser até bem fresco. Ventava e não parecia haver muita gente. Algumas vozes passaram perto, sendo a maioria delas femininas. Além desse barulho tinha também o dos pássaros , de carros, de ônibus e de um helicóptero. Então abri os olhos. A UFMG que eu vi dali tinha grandes áreas abertas, muita grama, três grandes prédios e um significativo transito de automóveis e pessoas. Trechos da paisagem estavam em obra. A avenida impressionou pelo tamanho de seus coqueiros e de outras árvores de grande porte. Se fosse um quadro essa vista seria marcada pelo azul, verde, amarelo e vermelho. Se fosse uma foto estaria estourada. As pessoas que passaram por ali diferiam bastante em gênero, idade e estilo, mas ninguém corria e poucas andavam sozinhas. É certo que muitos eram jovens e carregavam mochila, mas quase nada além disso indicou que se tratava de uma instituição de ensino. Para os mais atentos estava lá a bandeira da UFMG a tremular em frente ao prédio mais cinza.

Espreguiçando antes de acordar

Flávia Moraes Moreira, estudante de jornalismo

Sempre vi os lugares amanhecerem. Desde que eu era pequena, minha mãe me deixava na escola bem antes do início das aulas, porque precisava chegar cedo ao trabalho. Enquanto isso, lutando contra o sono, eu observava as pessoas chegarem, aos poucos. Torcia para que tudo ficasse cheio bem rápido, porque aquela sensação de que só eu estava pronta me deixava ansiosa, como se estivesse perdendo tempo. Podia ter dormido mais ou tomado um café demorado. Mas não.

No primeiro degrau da Praça de Serviços, relembrei esses pensamentos que não tinha há pelo menos um ano. Ao longo da faculdade, ver a UFMG ainda vazia se tornou artigo raro, já que, pelo contrário, comecei a chegar em cima da hora.

7 e pouco da manhã, e o número de pessoas na Avenida principal crescia. Algumas andavam rápido, e outras iam lentamente, lendo jornal no longo caminho desde a Antônio Carlos. Estas, provavelmente, também estavam ali antes do horário em que deveriam estar, ou podia ser só preguiça. Afinal, era sexta-feira.

ATIVIDADE 1 - A UFMG que eu vejo daqui

Olha bem para este lugar:




Quem estuda na UFMG conhece muito bem este lugar. Bancos, xerox, restaurante, DCE, feirinha de artesanatos. Essa é a Praça de Serviços, o principal local de encontro dentro da universidade. Pessoas passam por lá o dia inteiro.

O desafio era o seguinte: ficar parado no alto da escada da Praça por cinco minutos, seja de olhos fechados, abertos ou o meio termo disso. Depois era só escrever 1000 caracteres sobre aquilo que você viu, sob um título com 30 caracteres. A partir de agora nós vamos ver o que os alunos do Laboratório Outro Sentido aprontaram na Praça de Serviços.

domingo, 21 de março de 2010

Que os jogos comecem

Está pronto para trabalhar o jornalismo de uma maneira experimental?

Essa é a proposta do laboratório Outro Sentido, matéria oferecida pelo curso de Comunicação Social da UFMG. A proposta é simples: produzir a revista Outro Sentido. É simples, mas nem tanto. Ela não chama Outro Sentido à toa. É preciso dar outro olhar para o modo como o jornalismo é tradicionalmente feito e escrito. E nada melhor para exercitar isso do que escrever e escrever.

Toda semana serão postados aqui os exercícios de estilo e escrita dos alunos da disciplina. Vai funcionar da seguinte maneira: um texto/desafio inusitado será proposto semanalmente. A partir das especificações, todos os alunos irão produzir textos de acordo com as limitações impostas.

As regras estão na mesa. Prontos para os jogos?