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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Festa fúnebre

Fernanda Radicchi, estudante de jornalismo

Acordo no sábado de manhã anormalmente cedo. Na cozinha, preparo um pão com queijo e encho um copo com leite, antes de voltar ao quarto e ligar a TV. Não há muito que se ver nos canais abertos, mas ter a companhia da TV durante as refeições é um (mal) hábito. Entretanto, desta vez, presto mais atenção na tela que na comida, porque ao invés dos tradicionais e sonolentos programas matutinos de fim de semana, existe, no ar, um clima que mistura tensão e euforia. Então, recebo a notícia: o julgamento do “caso Isabela” havia terminado naquela madrugada e o casal Nardoni foi considerado culpado. Ate aí, nenhuma novidade, pois tudo indicava que eles seriam condenados. Durante dois anos, a mídia divulgou fatos que, cada vez mais, apontavam para o envolvimento do pai e da madrasta no crime. Por isso, eu, pelo menos, tinha esta certeza.

Preciso de mais detalhes, por isso, continuo assistindo. O programa, além de fazer uma retrospectiva do caso e dos cinco dias de julgamento, também registra as diversas reações provocadas pela decisão. A decepção dos advogados de defesa e dos familiares dos assassinos, de um lado, e a comemoração da promotoria e dos familiares de Ana Carolina Oliveira, do outro. Contudo, festa maior é a das pessoas no exterior do Fórum, digna de gol da seleção brasileira em Copa do Mundo. Se não fosse pela falta do verde e amarelo, as imagens de desconhecidos pulando, gritando e se abraçando poderiam ser facilmente confundidas com a platéia eufórica de um jogo de futebol. Até os fogos de artifício marcaram presença.

A questão é: comemorar o quê? Se famílias foram destroçadas, se duas crianças viraram, praticamente, órfãs e se a sentença não é capaz de trazer Isabela de volta. Tudo bem, a justiça foi feita, pôs fim a um sentimento de impunidade, mas não acaba com o sofrimento dos parentes, não substitui a perda. Portanto, no lugar de tanta felicidade e euforia, seria mais prudente o silêncio de um luto e a resignação advinda da certeza de que a Justiça apenas cumpriu com a sua obrigação.

Palavras: "Felicidade" e "Bizarro"

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