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domingo, 4 de abril de 2010

M

Jessica Soares, estudante de jornalismo

Seu nome começava com a décima terceira letra do alfabeto, e diziam que isso não era por acaso. Causa ou efeito, o fato é que seu nome combinava com sua mais marcante característica. Moisés mentia. Mentia sobre tudo e qualquer coisa. Seu pai era um grande empresário rico, seu tio um dos astronautas que pisaram na lua – ou pelo menos, era isso que ele dizia.

Desde coisas pequenas até viagens intergalácticas, ele sempre aproveitava ao máximo as oportunidades para contar um pequeno caso de veracidade universalmente questionável. Era ignorado por alguns, desacreditado por todos, mas isso não parecia lhe incomodar. Quando contava uma história não era como se fosse naturalmente dissimulado. Não. Ao contrário do restante do mundo, ele de fato acreditava naquilo que dizia.

Quando falava de suas viagens ao exterior, sobre a amizade com grandes personalidades, sobre seu sucesso entre os grandes nomes de qualquer área, dizia com convicção, com riquezas de detalhes, com emoção. Os desavisados sobre essa sua característica ficavam impressionados, mas logo alguém informava sobre a real personalidade de Moisés. “Mas como sabem que era tudo uma mentira?”, perguntavam.

Quem o conhecia há muito tempo dava o relato. A patologia começara já na infância. Enquanto crianças normais criam mundos fantásticos, ele vivia nesse mundo. O número de conhecidos famosos só cresceu com o passar dos anos e suas histórias ficavam cada dia mais elaboradas.

E assim Moisés seguiu. Chegou a mentir o caminho para um ponto turístico, e chegando no lugar errado se assombrou com a mudança que os anos haviam provocado no local. Chegou a mentir as horas do dia, e foi almoçar mesmo que lhe dissessem que ainda eram dez horas da manhã. Então, um dia, mentiu seu nome. Vladmir preferia falar a verdade.

Palavras: "Moisés" e "mentira"

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