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terça-feira, 1 de junho de 2010

Marina Marais, estudante de jornalismo

Sacoleja, sacoleja, sacoleja... Pára no sinal, passa pelo buraco na rua, desvia de carros, de motos. E continua. Com o movimento que parece mais lento que o que rodeia, mas não menos agitado. Braços se cruzam segurando as barras de metal, pessoas apertam-se para passar a roleta. E trocam bons dias, desculpas, obrigadas, ou mesmo caras feias, esbarrões, pisadas nos pés. Mas sempre continua, com curtas pausas. O trânsito está ruim, alguns vão impacientes. Outros se esquecem de tudo ao redor concentrados no som que vem do celular, do radinho a pilha ou do mp3. E é dessa mistura que nasce o belo, o lírico do lugar.

Ao lado da empregada doméstica está o estudante de classe média alta. Em frente, um pedreiro e uma advogada. É um momento de encontro silencioso de pessoas de lugares diferentes, mas com um objetivo em comum: chegar ao seu destino o mais rápido possível. Enquanto isso não acontece, elas se observam. Vêem como o outro é, tentam adivinhar o que faz, sua vida. Oferecem para segurar as malas pesadas, alguns mais atrevidos até tentam bater papo, comentam do tempo, do trânsito, de sua pressa. Entra alguém novo, desce o estudante. E o balanço continua. Quase como uma música, com ritmos infinitos, tonalidades as mais disparatadas. Tal como a diversidade do que leva dentro e sacoleja, sacoleja, sacoleja.

Palavras: Ônibus e Poesia

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