Bruno Assis, estudante de jornalismo
Parecia filme de faroeste. Os prédios em volta da Praça de Serviços eram como salons: todos acesos, mas sem movimento aparente. Não tinha nada nas ruas. Só faltava uma bola de palha rolando para compor o cenário de solidão. Também pudera, ninguém em sã consciência espera encontrar movimento na UFMG às 10 da noite.
Como não tinha nada para ver, fechei os olhos e fiquei lá escutando uma cigarra irritante que cantava em algum do ICB. Completo silêncio novamente. A universidade parece não funcionar à noite. Às vezes passava um carro atrás de mim, mas parava por aí.
Então um grupinho animado de meninas apareceu. Eu as ouvia falando sobre carteira de motorista, sobre aulas e reprovação em exames de direção, em quantas vezes cada um teve que repetir a prova. Elas falavam, falavam e falavam. E eu nem precisei me esforçar muito para ouvir, já que resolveram sentar ao meu lado na escada. Um, dois, três, sei lá quantos minutos se passaram. Foi um alívio ouvir meu celular e ver que eu já podia sair dali.
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