Leonardo Amaral, estudante de jornalismo
O que pode significar sentar-se no meio fio na vã expectativa de que algo possa acontecer em um dia cinzento de chuva insistente?
Talvez os taxistas, escondidos em seus veículos, pensem ser aquele um dia de grande trabalho, afinal as pessoas, como a moça de trajes brancos, não querem sujeira de terra para o encontro que tem mais tarde com o novo namorado. Ou então o velho professor, que se equilibra com livros, pasta e guarda-chuva e prefere como opção adentrar um dos automóveis para, quem sabe, chegar a casa antes do jornal.
Mas há outras possibilidades: ao invés de pegar um passageiro, um desses nobres homens do movimento prefere a imóvel possibilidade de observar, bem a sua frente, aquele que, com guarda-chuvas empunhado, permanece, sentado, no meio do nada, para apenas olhar, na esperança de ver algo que seja. No jogo de impossibilidades, soam os cinco minutos de um cronômetro, os primeiros postes de luzes se iluminam e a essa hora a moça de trajes brancos já ruma para seu encontro.
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