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domingo, 28 de março de 2010

Por onde passa a pausa

Taís Ferreira Ahouagi, estudante de jornalismo

O sol bate forte sobre o chão de cimento. Nas poucas sombras que se formam, sob um arbusto de copa rala, pessoas, que poderiam ser uma só, se abrigam. Elas não se olham nem conversam. É um silêncio solitário. Encostado a um canto, um homem de regata deixa à mostra uma tatuagem tribal já desbotada. Sentada em um banco, uma senhora oriental lê seu livro sem parecer se incomodar com a radiação que bate sobre as manchas esbranquiçadas de vitiligo. Um pouco à frente, uma moça alta, clara, flácida, com cara de poucos amigos acende um cigarro, que eu também fumo por observar. Logo atrás, duas mulheres são as únicas que falam, mas tão baixo e em gestos contidos que mal se ouve o que dizem. Ao redor delas, outras pessoas passam para ir à lanchonete, ao banco, encontrar um amigo, talvez. É um movimento parado, daquele que não faz barulho. Na ágora, mais gente sentada, exercendo a atividade de não fazer nada. A tenda que lhes cobre é de um vermelho abafado que parece congelar os movimentos pelo calor. Nos minutos que antecedem o almoço, a UFMG que eu vejo é tão lenta e abafada quanto o vento que passa fingindo refrescar.

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